sexta-feira, outubro 31, 2008

O Jogo


A vida tem sido um jogo...
Estratégias...
Tragicomédias...
Imediatas]

A vida tem sido larga...
Como uma rua...
Profunda
E profana]

A vida é ingrata...
Apaga e mata...
Marca e asfalta...
...a dor da falta]

[Viver é desenvernizar...
O verniz amorfo da ilusão...
A casta ingrata, dessacralizar...
Matar...

A Pérola...


Caros amigos e leitores, há coisas que acontecem e que não podemos perder a oportunidade de aprender um pouco mais sobre a vida... Deixa eu contextualizar a situação: há, na cidade onde moro, uma figura que trabalha com artesanato, conhecido como "Arara", uma alusão à sua arte mais vendida. Bem, acontece que este indivíduo é um "crente" daqueles que em viagem de busu se levanta, vai à frente da condução e começa pregar, ler a bíblia e tudo o mais. E foi numa dessas que ele deixou cair uma pérola inesquecível: "Se voltem para Deus, por que o mundo é uma panela e nós somos a carne!" E qual o aprendizado que podemos tirar daqui? Ora, óbvio! Juízo de gente é pouca coisa!

segunda-feira, outubro 27, 2008

Frasco Pequeno...

Todos morreremos...
Uns tentando ficar ricos para serem felizes...
Outros mantendo a riqueza para comprar a felicidade...
Mas há aqueles que não se enquadram:
Aqueles que são felizes para ficar ricos!

sexta-feira, outubro 24, 2008

Sobre o Nada



Fim de tarde indiferente veio a mim...
Com os meus olhos rasos olhei-o, enfim...
Depois de sua inércia insistente
E de bocejos ambíguos...

Perguntei ao nada indizível...
Numa expressão-de-mil-palavras...
Que nada fala, mas muito diz...
E ele entendeu-me sem nada expressar...
E me disse, sem nada pronunciar...
"Estou em ti, estou em qualquer lugar..."

E logo após, sua inércia de mim se apoderou...
E meus olhos, indiferentes ficaram...
- "Dentro de mim, o nada!" - Gritei.

E a voz do indizível expressou-se de mim...
Ganhando forma, esse nada...
Ganhei o nada, dessa forma...
E infinitos mundos criei...
Infinitos passos andei...

Ó, instante mais sublime!
Eu, de mim, me encantei...
E o tudo tomou forma...
Em todo ato que encontrei...
Estava lá, eu vi!
Espalhados pelo chão...
Qual rosas espalhadas...
Os atos de minha solidão...
Ora, foi do nada que tirei
Os atos que o tudo criou
Pois no nada, tudo tenho
Do nada, é que tudo sou...

terça-feira, outubro 21, 2008

O Botão da Televisão




Pequenino botão...
Reluzindo a nova fonte de iluminação...
Perdi-me sem saber...
Quão intenso é você...

Ó, pequeno botão!
Tão simples e risonho...
Que faz meu coração...
De triste, uma explosão!

Que rufem os tambores!
Que adentrem as bailarinas!
No palco, a estrela que ilumina!
Que revela as verdades mais confortáveis...
Que bela menina!

Eis a força da paixão!
É o botão da televisão!
Que faz ao pobre esquecer,
Que faz parte de uma exclusão...
Pois acredita ser, com o rico,
Parte de uma mesma condição...

O mecanismo insano!
A dor de um coração...
A dor que deveras sente...
Se não faz a indagação:
"Aperto ou não aperto tal botão?"

Eis o poder de um botão!
Coloniza as mentes...
Cauteriza o coração...
Entre pobres e ricos, diferenças não há mais, não!
Todos são os mesmos,
No reino da ilusão!

quinta-feira, outubro 16, 2008

Reflexão...



Às vezes penso que estou a me desviar muito do caminho humano... Isto acontece por que eu gostaria de ter uma vida melhor e penso que a forma de alcançar isto advém de uma visão coletiva da realidade, como cooperar para chegar a um mesmo fim de sucesso; mas percebo que a maioria prefere tentar conquistar sozinho. Note que falei “tentar”... Então acredito que estou certo com meu pensamento, mas errado com meu comportamento. É disto que decorre meu pensamento inicial: se sou mais um humano, devo agir como os humanos agem. Se não ajo como agem os humanos, isto me faz um inumano. Assim, vejo-me desviando do caminho que faz um humano, humano. Vejo-me caindo num poço sem fim que me distancia, dia após dia, da humanidade...

quarta-feira, outubro 08, 2008

Sinceridade...



Acabo de descobrir a origem desta palavrinha que muito pesa... pois possui um significado amplo e necessário às nossas vivências...
Conta-se que em Roma alguns daquela sociedade trabalhava na confecção de vasos. Diz-se que alguns deles conseguiam fazer vasos tão transparentes com um tipo especial de cera que os romanos se admiravam e falavam: - Que lindo, parece até que é feito sem cera! "Sine-cera"!
Isto denotava um vaso perfeito, finíssimo e delicado. Hoje, sincero é aquele que se deixa ver, que demostra seus sentimentos e pensamentos sem necessidade de embaçar o entendimento do outro para se esconder; é aquele que é franco, verdadeiro. Necessário, não?

quarta-feira, outubro 01, 2008

O olhar...




O que você faria sem o olhar do outro?
O que pensaria diante do ignoto?
Seria limitado quanto aos limites?
Seria insano diante de próprios palpites?

Há um abismo que o separa do ato...
O nome do abismo é o outro...
O peso moral que estraçalha o escopo...
A casa ideacional que limita o corpo...

O que eu seria sem o olhar do outro?
Seria a insânia ilimitada e louca?
O ilimitado injusticeiro do outro?
Daria ouvido às próprias vertiginosas viagens?

Sou a separação abismal...
O sistema colossal de uma muralha ardente em chamas...
O olhar é a barreira intransponível...
Em qual nível?

segunda-feira, setembro 29, 2008

O Poder da Fé


A primeira coisa que devemos perguntar é: A fé tem poder?
Claro que sim! Note como ela muda comportamentos e direciona-os...
A segunda é: Se ela tem poder e muda comportamentos, para que ela serve?
Ora, beneficiar!
A terceira: A quem ela beneficia?
Hummm... essa é mais difícil de responder...
Vamos lá. Poderíamos dizer que quem se beneficia é aquele que tem fé, que acredita... Mas se aprofundarmos um pouco mais a discussão, poderíamos a começar enxergar pessoas que se beneficiam das crenças dos outros. Vejamos um exemplo: acredito que presidente é alguém superior a mim. Logo, não me vejo como alguém que pode se rebelar contra os atos dele, é como se ele fosse um deus, inalcansável, inquestionável...
Mas não é justamente isto que acontece em nossa sociedade alienada?
Poderíamos mudar o título desta postagem para "O Poder Simbólico", uma vez que é isto que explica a nossa condição de vida. Não é o papel com um texto e uma assinatura que garante que algo é legítimo. O que dá essa garantia é a nossa crença de que aquilo possui o valor que dizem que tem. Mas essa crença sozinha de nada pode servir; como falei no início, essa crença deve produzir comportamentos. Preciso ter a fé de que esta crença é a verdade.