segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Vilozovia de Butiguim...


"Traz mais uma, garçon!"
Vidro tilintando...
Copo contra copo!
Musiquinha animadora!
Como é mesmo?
"Arrocha, arrocha, arrocha..."

Amigos conversam e riem...
Mulheres passam e eles assoviam...
Elas nem olham...
Eles as chamam de ordinárias!
Elas continuam indiferentes...

Descontentes, conversam entre si...
"Essas mulheres de hoje em dia não prestam!"
Um curioso que acaba de chegar pergunta:
"Por que?"
"Por que mulher é interesseira!" - Responde.
E outro, já tonto de tanto álcool, completa:
"Mulher só quer saber de dinheiro, festa e carro."

Num segundo se esquecem do que conversaram...
Um se levanta para ir ao banheiro...
Todo o resto lixível volta a "tomar todas"!
Adentram o mundo do álcool...
É bem mais fácil assim...
Se esquecem de si.

sábado, fevereiro 21, 2009

Carnamáscara...


Carna o quê?!
Carnaval!
Cai na vala...
Carnavelha...
Carma... mal...
Cá, na vida...
Naval...
No vão...
Cá, no vão!
No ôco!

Cai onde?
No chão!
Carne em vão!
Álcool e pão!
Circo e manifestação!
Arco de dor, dedicação.
Carnaval...
Aval da carne...
Ácido que arde.
Corrói, em vão, a carne.
Cai e levanta do chão...
Arranha e esmaga...
O duro chão...
Que chora a marca deixada...
A dor da carne que pula.
A carnalização...
Ação da carne que pede...
O trocado do pão...
A cachaça...
A ressaca...
A resignação...
O esquecer das mazelas,
Deixadas penduradas ao guarda-roupa...
O triste fim da carne.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Pó



Quero palavras esféricas...
... de granulometria igual ao pó.
Para traduzir o pó que me pariu...
Para eu saber que pó que eu sou.
Para eu saber que vento me levaria.
Como eu, pó, se espalharia...
Quando, do pó, a flor se formaria...
O bicho...
O inseto...
A vida.
O pó.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Quero Drummondear...



Disse-me um sábio, certa vez:
- "Ler poesia não cura dor de dente ou enxaqueca.
Mas aumenta teu mundo."

Poetizei...
Arriscar-me-ei a Drummondear, agora...
Saltarei a pedra ou a rodearei, quando encontrá-la...
Nada perguntarei a José-sem-nome...
Já não há o que perguntar.

Mas como Drummond, deixarei o amor se ensanguentar...
Que pule o muro.
Que suba à árvore.
Que escorregue e se estrepe!
Mais uma vez, alguém vê o sangue andrógino a escorrer.

Meus ombros já quase suportam o mundo...
O qual quase pesa tanto quanto a pequena mão de uma criança.
Tenho procurado, sim.
E sinto que estou perto.
Perto, não da "explicação (duvidosa) da vida",
Mas da "poesia (inexplicável) da vida".

domingo, fevereiro 15, 2009

Só...



Estou só...
Sentado no sofá,
E olhando a TV desligada.

Ao fundo, toca Don't Watch me Dancing,
De Little Joy...
Mastigo, descuidadamente, biscoito recheado...
Sabor morango...
Nunca gostei desse sabor.

Migalhas caem, por vezes, ao chão...
Outras, ao sofá...
Um copo duplo de café à mão direita
Recheia, ainda mais, este fim de tarde.

O álbum da banda está chegando ao fim...
A música?
"Evaporar".
Sim, fim justo.
Sumir.
Volatilizar...

Como o álcool misturado à alma.
Ou a alma misturada ao álcool.
Tanto faz a ordem!
Tanto faz...
Calar é melhor...
Silenciar a dor da solidão...
Como morrer estando vivo.
Como viver, estando morto.

Retornando...



Retorno oficialmente às atividades de blogueiro. Depois do descanso necessário à organização das idéias, retomo o poder. Obrigado a todos pelo apoio e crítica de tudo que aqui publico. Mais tarde tem poema...

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Mais Brasilidade!


Caros amigos/amigas de leitura deste blog, no momento desta publicação estou numa sala de uma escola pública de uma cidade do Pará chamada Prainha. Primeiramente, eu e a equipe que faço parte estávamos num povoado chamado Boa Vista do Cuçari. Um pequeno povoado com baixa instrução, mas com uma sabedoria de dar inveja àqueles que sonham com uma sociedade melhor. Surpreendi-me com o nível de consciência cooperativa que esta comunidade apresentou. Sentí-me constrangido em ter que falar em necessidade de cooperação... Aprendi muito mais do que eles. Se trata de uma comunidade que não possui energia elétrica, somente um gerador dá energia à comunidade das 18:00h às 22:00h. Pessoas lindas, de aparência física à humanidade! Aprendi muito, muito mesmo! Estou feliz com isto tudo. Estou aprendendo a ser mais brasileiro. Ah, naveguei nas águas do Rio Amazonas! Muito bom!!! Até mais...

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Poeta versus Poesia


A alma do poeta é rara...
O poeta erra...
Rala a cara...
Martela o dedo...
E sai correndo.

O desejo de acerto é grande...
Mas o passos continuam a errar...
Faz o inverso do que escreve.
Não presta!
Impreciso, lamenta o que não fez.
...o tormento.

Quem acha que poeta é coisa boa,
Longe está da verdade.
Ofereço a face, se errado estou.
O poeta se irrita, mas escreve.
Idiota!

O primitivo se irrita e atira uma pedra...
Atira uma flexa...
Atira.
O poeta?
Rio-me.
Fala bonito, mas e daí?

O poeta é nada.
Nada no nada...
Flutua na esperança...
E desespero de vida.
A vida se insinua a aparecer...
Mas onde está?
Ilusão!

Sente a dor do mundo...
E o mundo?
Pouco se importa.
Achou mais um a cruxificar!
Achou mais um idiota que apregoa a ilusão do bem viver!
Irrito-me com tudo isso!
Que falta, então?
Sair das palavras.
Sair de casa.
Sair.
Agir com atos!
...paradoxal.

O que é o poeta, senão isso?
O paradoxo de ser o que não é.
O paradoxo de doer em ser o que é.
O paradoxo de desejar ser o que é.
O paradoxo de existir sendo um ser...
Mas sem nada ser.
As palavras o são.
Eis o que é um poeta,
Palavras.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

O Valor da Mulher


Assiti, outro dia, na TV Escola, um documentário interessante sobre a cultura esquimó. Levou-me a pensar um pouco nossa cultura individualista e o valor da mulher. O documentário mostra que o casal esquimó não sobrevive sem ajuda mútua. Em termos práticos, o homem sai a caçar, mas sem as vestimentas pesadas cosidas pela mulher, ele não sobrevive no frio intenso das calotas polares. Bem, no nosso mundo civilizado, que há? O homem sai a trabalhar... a mulher também. Até aqui, beleza. Melhor, trava-se tudo o que é relacional aqui. O homem não precisa da mulher para nada, a mulher também não precisa do homem para nada, o que sobra? Ora, o velho e belo amor... Amor?! Quem disse que este sentimento resiste sem bases concretas? Sentimento é sentimento e como tal, precisa de base. Qual a base que temos, em nosso mundo, para amar alguém? Se vivemos a auto-suficiência doentia, esquizofrenia aguda social! Nossa, estou disposto a buscar em alguém a base para amar, estou disposto a amar, buscando o apoio necessário à consolidação do amor. Creio que seja um bom começo para resgatar nossos laços de afetividade.

P.S.: Apóio o avanço da mulher, como do homem, mas devemos pensar em formas de avanço que sejam saudáveis para a vida do ser humano, e me parece que este modelo atual merece ser incinerado.