segunda-feira, maio 04, 2009

Ondas...


Chuá...
Bate forte...
É onda p'ra lá...
É onda p'ra cá...
Vem e vai...
Cai...
É...
Aí...
Volta...
Embala...
Logo espalha...
É como um jogo...
Vai e volta...
Descresce...
Diminui...
Assim...
Faz...
Sim...
Tenta...
Insiste...
Persiste...
Em recorrer...
Aos ventos...
Arrastam...
Insentos...
Desce...
Sobe...
Vai...
E...
Vem...
Vento...
Força grande...
Onda alta se forma...
Vai lá em cima, bem alto...
Percorre kilômetros de costa...
A praia chega geme de medo...
No alto da onda que quebra...
O povo logo vê os surfistas...
Que descem, disparados...
Segue indo e vindo...
Pisando fundo...
Bem no alto...
Das ondas...
Chegam...
Cá...

domingo, maio 03, 2009

Frio e Amor


Há uma moça...
Aquela de meu coração...
Dona, anjo, arranjo de flores...
Sorri...
Olha de lado e depois para o chão...
Sente que pode, mas prefere esperar...
Inclina-se sobre uma mureta de concreto...
Encosta-se e encara...
Perco o jeito...
Fico sem graça...
Rio por dentro...
Como pode isso comigo?
Timidez não é mais o meu forte...
Superei...
Será?
Ou ela me faz encarnar a infância perdida?
Nossa!
Aquele amor perdido...
Aquele sentir perdido...
Aquele frio compartilhado...
Aquele aquecer de mãos dadas...
De olho no olho...
De verdades sentidas, não ditas...
De coração acelerado...
De pequenas mãos, sustentando pequenas mãos...
Amor de infância...
De olhar que tudo dizia...
De tudo, fugia, ao olhar aquele olhar...
Ah, esse frio que me fazer recordar...
É esse frio que me faz sonhar.
Paixão.

sábado, maio 02, 2009

O dia de ontem... Dia do Trabalho

O dia do trabalho, foi comemorado, por mim e amigos, subindo a Serra do Jequitibá, na cidade de Buerarema, Bahia. Foi uma atividade muito gostosa de contato com a Natureza, brincadeiras, discussões de ações necessárias nas políticas públicas, etc. Mas confesso que, para mim, o que mais chamou a atenção foi a poesia de imagens naturais que consegui captar, tais como como essa beleza de flor.

Engraçado que a poesia se misturou ao amor à Natureza e à necessidade de atividade, em contraste à passividade manifestada pela população, de forma geral. É o que chamamos de força da amizade, força que vem do coração e que se apóia de forma dialética, um no outro. Deixo uma foto que representa laço forte de amizade.


quinta-feira, abril 30, 2009

Aos Fiapos¹, os Retalhos...


Há um céu esparramado...
Há lágrimas e dor, ao lado...
"Hei, fecha a cara!"
Grita, o desgraçado...

Senta.
Sinta os pés descalços sobre o chão gelado...
Sobra a calça jeans e a coca-cola...
Ambos, idiotia em dia de finados...

Pano, linha e vontade...
A agulha é o detalhe...
Costura e sorri...
Tão linda, tão simples...
A cabeça dança, enquanto cantarola...

Retalhos e cenas esparsas...
Espanto e rebeldia...
Anarquia descontrolada...
Sofria, todo dia, aquele infeliz desgarrado...

É dia de festa na casa dele...
Completa mais um ano de vida...
Não entendo por que comemoram a proximidade da morte...
Hei, espera, é a ilusão de negar a própria sorte...

Deslige a TV e ganhe mais alguns neurônios...
Raspe a cabeça, espere o vento e esfrie o juízo...
Compre agora mesmo o novo modelo!
Aproveita e arranca do peito o último suspiro...

Evita barraco...
Evita caos imediato...
Negocia, trata, conversa...
Pondera o caos e a serenidade.



_______
1 - Alusão à publicação Casa de Fiapo de Gabriella.

domingo, abril 26, 2009

Muralha


O futuro, agora, está próximo...
Esbarra num muro de concreto...
Sólido, impenetrável...
Decodifica uma fala insólita...
Desusada, desumana...
Habita e se habitua...
Mora e desanda...
Corre, debate-se e cai...
Não morre, mas desfalece...
Cansado de tentar...
Cansado de falar...
Fazer, agir por si.

O futuro é uma onda...
O vento sopra, a praia branca...
Partículas de sal...
Partículas de ouro...
Água salgada...
Chuva que chega e se vai...
Molha o som do mar quebrando em minha boca...
Mas tudo isso se esbarra na areia.

O futuro, hoje, vai...
Segue adiante...
Numa arma química...
Em espaços nano e gigas...
Em sentimentos inumanos...
Sem coração, sem vida...
Sopra forte a força humana em distanciar-se de si...
O muro da desconfiança.

O futuro já chegou...
Veio até mim...
Falou-me ao ouvido coisas que eu não quis ouvir...
Disse, olhando-me cabisbaixo, que não acredita mais em si...
Desistiu de correr...
Desistiu de agir...
Mandou-me calar a boca quando tentei dissuadir...
O muro é ele mesmo, o muro está posto, é aqui.

sexta-feira, abril 24, 2009

P'ra Você...


Insisto em escrever...
Por que sou teimoso...
Por ter leitores como você...

Poetizo a minha alma...
Corro o risco sempre insano
De sair da calma...
De marcar a cara...
De ser grosso sem sentido...
De deixar a vida falar o caos feito lavra...

Sinto a força que há em mim
Da força que vem de você...
Que lê, que comenta, que só vê...
Que faz deste espaço um lastro dialogal...
Mesmo que venha de um...
Louco ou normal...

Dedico este poema a você...
Caríssimo e caríssima...
Que vem, prestigia e motiva...
Que compartilha o que sinto...
No próprio coração e cativa...

Abre a alma...
O tesouro escondido...
O pote ao fim do arco-íris...
O dourado reluzente...
O ouro perdido de si...

Dou-te, agora, a palavra...
Que pulsa em meu peito...
E dispara contra o teu...
Liberta e dá asas...

Voa, ó caríssima... voe, caríssimo...
Apreenda o mundo com a alma...
Compreenda a vida com entusiasmo...
Enxergue os instrumentos que a Natureza te dá...
Crie as asas da liberdade...
Fora do recanto da ilusão...
Desligue a tv numa tarde...
Numa manhã...
Num verão.

Faça de si a força do mundo...
Pois de ti emana a força de um coração...
Arranca do peito a mágoa...
Perdoa quando necessário for...
Mas não fique à toa...
Pois a vida tem inimigos...
Aprende a aprender com eles...

É você que aqui vem, que me ensina...
Que me mostra o caminho...
Que me transforma num espelho...
Para enxergar dentro de si...
A força, a energia, o conselho...
Fico grato...
É fato, continuo...
Mas reconheço a paz que emana de mim...
Pois é em ti que me inspiro,
É em mim que desatino.

segunda-feira, abril 20, 2009

Oração à Deusa Gaia


Friozinho que chega...
Chão frio...
Pés no chão...
Sinto a força que emana da terra...
E da Terra...
A serra que mostra o pulsar de um coração.

Folhas ressequidas...
Se espalham por sobre a terra,
O solo que aceita...
É só do que deleita e erra...
Como louco desvairado...
Corre desesperado...
Para acolher toda folha que cai por sobre o chão.

É a Natureza e sua porta...
Que se abre, ensina sem razão...
Aos pequenos pontos que a compõe,
Que tecem esse coração...
Coração de terra...
Amor sem fim...
Solo e solidão.

Falo de solidão, pois o solo é poeta...
Encarna, grita, mata e maltrata.
Encena uma dor, finge que gosta e ama...
Mas abraça com a certeza de um amor.
Abraça, pois acolhe e retrata...
Mostra, como o poeta, a falha amarga
De se pensar ser mais do que mata,
Mais do que árvore que dança à luz do luar.

Floresta infinda desse oceano verde,
Mostra a força, mostra a dança...
Inclina-te à Lua, ao Sol, à agua...
Dança e nos mostra o passo ritmado...
O dançar forte, pois o nosso é descompassado...
Mostra, dai um presente,
Ensina-nos com o passado.
Para que o amanhã retorne a ser
O verde-louro aveludado.

Ó, força que emana de Gaia,
Mostrai que em nós, filhos insanos,
A paz nunca falha.
Pois viemos de Ti,
A Ti voltaremos,
E em Ti somos mais.
É minha oração,
Ó deusa belíssima,
abençoa e ensina que mais nós podemos
E que "mas" já não cabe,
Pois sentimos as lágrimas que molham sua face,
E que soçobram nossas bases mais fortes.

Ensinai, a este pequeno,
Como se caminha de olhos fechados...
Pois se deve enxergar com o coração.
Ensinai a todos pequenos
Que junto somos grandes,
Que, de fato, tua luz é uma escuridão.
Pois é na morte que sustentas a vida.
Mas morte que acompanha a paz,
A serenidade, a doce sensação...
De seguir em frente,
Fazendo parte do mato,
Do bicho, da flor, da raíz... é solidão.
É solo...
É coração.

A Grande Guerra Interna...

Neste blog, palavras como as que virão aqui já foram ditas, mas nunca é muito repetir coisas do tipo que se segue... Estava eu a conversar com uma amiga de infância (considero irmã de tanto afeto que tenho por ela), a Tatiana, e ela conseguiu me inspirar, com algo dito, para a seguinte reflexão: Vivemos num mundo de correria, de busca constante e competição. Acho que ninguém discorda disto facilmente. Bem, acredito que o fio que une esses comportamentos seja uma característica humana que filósofos já chamaram de "instinto de poder". Isso significa que corremos motivados por nossa necessidade de dominar, exercer poder sobre o outro e sobre a realidade, de forma geral. Tudo bem, até concordo que há uma certa necessidade desde tipo de comportamento, porém não posso concordar que necessitamos permancer em algo que tem nos matado. Como? Essa competição e necessidade de domínio tem acarretado doenças de nível profundo em nosso corpo, tais como cardiopatias, doenças gástricas, desquilíbrios hormonais, câncer, doenças do sistema respiratório, doenças sociais como a inércia coletiva, etc. Tudo isto poderia ser evitado com uma atitude muito mais desafiadora do que superar um outro: superar a si mesmo. A auto-superação é das tarefas mais difíceis que conheço, pois exige que olhemos nos olhos de nossos maiores medos, exige que encaremos nossa fragilidade existencial, exige que caiamos na dura realidade de que nossa vida logo se findará. E é exatamente o caminho oposto do que a sociedade tem ensinado. Ela diz: jogue a responsabilidade para o outro, pois assim é mais fácil lidar com as próprias fraquezas; não admita tua parcela de culpa, pois isso dói muito; vire o rosto para evitar ver humanos dormindo debaixo de marquises, pois pode se lembrar que ali podia ser você; vá para a agressão a outros humanos e/ou animais, pois assim é mais cômodo e ajuda a esquecer que tua fraqueza é tão grande que precisas esquecê-las.

É isso...


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Pintura de Oswaldo Guayasamin, "A Idade da Grande Ira"

domingo, abril 19, 2009

Devoradores...


Que diabos eles querem?
Que tratado que defendem?
As migalhas que no chão se espalham...
Viram fardos que atrapalham...

O pão amassado pelo Diabo...
A insânia que toma conta, dá recado...
Fixa a mente fixamente...
Arranca as entranhas e espalha ao asfalto quente de verão...

As palavras me surgem agora...
De frente à tela da informação...
Que merda de informação é essa,
Que mata, que emburrece o coração?

Letras e palavras...
Frases incompletas...
Chuva que não pára...
Xingamentos discretos...

Causam avaria à mente...
Danificam, os devoradores de cérebro...
Carnificina em dia de luar...
Céu aberto e escuridão...
Luz e pé no chão...
Olhos vermelhos...

Os carros passam pela estrada...
Não vêem o que ocorre em mata fechada...
Somente a lua ilumina o caminho...
As farpas, as cartas que nunca existiram...

O amor nunca dado...
A mãe que lá esteve e que nunca foi...
A dor nunca sarada...
O grito ao asfalto iluminado...

Ninguém sabe o que é a lágrima do palhaço...
Não entendem o que é a dor...
O sofrimento do pé descalço...
O agredir para ser visto e ouvido...
Para ter poder...

A luta é essa...
As gravatas que desfilam...
A favela que alucina...
"Mata o porco desgraçado!"
Quem disse isto? - Pergunto, desarmado...

Os loucos que traficam?
As gravatas psicopatas, apresentáveis e bonitas?
Não.
Os da favela se matam para garantir o lucro daqueles da gravata...

Mais um corpo estendido no chão...
O copo está cheio...
Confusão...
O cara folga a gravata vendo a reportagem na televisão...

Aliviado, toma um vinho escocês...
Ao copo, em letras de ouro, seu nome talhado...
Assenta-se em sofá de couro importado...
Estica-se e dorme, amanhã estará no Senado.