quinta-feira, outubro 15, 2009

Coisa



Aqui estamos...
Sujos, insanos...
Aqui somos...
Estranhos, sonhos...

De lá que venha...
De cá, aqui está...
Estebelecido...
Posto...

Sujos...
Sonhos...
Quase insossos...
Insípidos...
Água...

Sem gosto...
Sem querer...
Vem de cá...
Segue...

Aqui sonhos...
Pesadelos risonhos...
Aqui estranhos...
Moradores da ilusão...

Caminha-se ao nada...
Morre-se todos os dias...
Encanta-se do canto sem voz...
Sem vez...

O daqui que é de lá...
O aqui que lá está...
Maltrapilho...
Sujo e insano...
Coisa.

Pedinte de todos os dias...
De todo santo dia...
Que olha como o abismo do nada...
A coisa que intenta se expressar...
Palavreia roucos sentimentos...
Impotênci(aliza)...

Somos sujos e insanos...
Fede-se todos os dias...
Pede-se e perde-se...
Anulamo-nos...
Que a coisa de lá reflete a de cá...

Olha para o chão...
Para olhar para si...
Nega o pão, nega a vida...
Não a que se rega de massa...
Mas a que se faz inaudita...

Não é da massa que falo...
Mas da massa do povão...
Negam-se o pão da liberdade...
A liberdade do coração...
Não se trata de pão...

Trata-se da mão...
Das mãos também sujas e imundas...
Do caos que aqui se instaura...
Quando a coisa mostra que também o sou...

Coisa que intenta dialogar com coisa...
Indizível, intraduzível, intragável verdade...
A coisa de lá é espelho fugaz...
Pois foge-se da dor...
Foge-se de si...

E nada temos...
Pois sujos e insanos...
Aqui estamos...
Sonhos estranhos...
Pesadelo da verdade de todos os dias...
Todos os dias...

Mas liga-se a TV...
Assiste-se ao jornal...
A novela...
O engodo colossal...

A cegueira do que à frente está...
Da coisa lá de fora...
Da coisa imunda sentada no sofá...
Do perdido...
Do pedido de socorro...
De quem crê-se a si mesmo...
Como se fosse um Jeová¹...


_______
1 - Jeová é termo que na tradição cristã pode ser traduzido como um dos nomes do deus judaico-cristão.

domingo, outubro 11, 2009

Um Lugar...

Foto de minha autoria


Há um lugar...
Que de tão perto, longe está...
São campos verdes, mas de sépia pintei...
P'ra me esconder, p'ra me encontrar...
É um alto e imenso jardim...
Perto dos olhos... tão perto... cega...

Há um lugar...
Lá?
Logo aqui...
Dentro de mim...
Em alma vestido...
Perto dos lábios... tão palavra... rotina...

Há um lugar...
Meu amor sou eu...
MInha dor sou eu...
Meu jardim sou eu...
É sépia? É verde? Depende...
Está nos olhos... os fecho... enxergo...

Há um lugar...
Está aqui e lá...
É caminho a lugar algum...
É a todo lugar...
Criação de cabeça doida...
Inverno inventado... amor inventado...
Solidão de mentirinha... só p'ra dizer que ama...
Insadece e reclama...
A presença impossível...
De um outro que sou eu...


quinta-feira, outubro 08, 2009

O Poço de Mistério


Estava solta...
Nos braços de si...
Caiu em olhares...
Sorriu para mim...

Sorriso mistério?
Olhar curioso...
Quem descobre assim?

Quando corre, sorri e encara...
O poço que se abre à frente é mistério sim!
Puro desejo de elucidar...
O alto grau de aprender...

É a vida que pulsa em criatividade...
É ativa a idade...
São traços e esboços...
Abraços e esforço...
Gasto de energia...
Investimento em saber...

O mistério que me encanta...
Que me aproxima e afasta...
Que traz o mar revolto...
A calmaria pós-tempestade...
O silêncio leve e solto...
A paz e a vontade.

Querer estranho e sagaz...
Inteligente, perspicaz...
Delírios, deleites sutis...
Imaginação ativa diante de si...
Só?
Não sei...

Só vejo um poço de mistério em sorriso tranquilo...
Um rosto singelo em leve olhar...
Um olhar engraçado...
Que às vezes encosta em encantar...
Que ao nada se mostra para o mar aclarar...
Um oceano daqui...
Umas águas sem fim.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Sonho e Solidão

Foto Feita em estrada logo após Gandu, Bahia...


Sonhei que estava só...
Sorrí, que dava até dó...
Surtei, transformei-me em pó...

Estava eu a caminhar...
Por terras quase infindas...
Que de só, só o Sol em mi maior...

Estava lá a me embriagar de mim...
Sonhei e só...
Só, adormeci...

Cantei, quando acordei...
Mas logo descobri...
Só.

Estava eu, lá esticado...
Em rede vermelha a se balançar...
Passarinho toda hora a cantar...

Vento calmo mexe a rede...
Brisa leve eleva e resfria o calor insandescente...
Incandescente luz de lá...

A luz que alumia a alma adormecida...
Que vagueia por si...
Em qualquer lugar...

Se pó, já não sei...
E dó, só de violão a chorar...
Mas só, sempre hei de caminhar...


segunda-feira, setembro 21, 2009

Vale a Pena


Perguntei-me: O que vale a pena para ter minha insistência?
Minha persistência...
Minha arrogância...
Distância e aproximação de mais...
Sei que posso.
Sei quem sou (?)
Acho que sei...
Sinto que sei...



Sim, há algo que vale a pena...
Vale a cena...
A noite perdida...
A lágrima caída.
Há, sim!
Vale...
Profundo...
São...
E doente também...
Tanto faz.
Importa que importa a mim.

Há.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Violentamente Pacífico

Parece que Karl Marx estava correto… A tomada de poder não pode ser por outra via que não do próprio povo… Aí vai um vídeo que achei incrível, chocante, reflexivo e tudo que muita gente precisa ouvir…

quarta-feira, setembro 16, 2009

AMO(R)TE



Amo-te.
Agora.
Amor...
A morte inodora...

Amo-te.
Ameniza a dor daqui...
Amadurece e eterniza...
A morte.

Amo-te.
Gracejos cristalinos de mentiras...
Caem e quebram-se...
Amo-te, ó morte...

A morte.
A ti.
Aqui e agora, amo...
Amor.

A dor.
A sorte insana dos viventes...
A cor insapiente...
O fim, a morte...

Amo-te.
Amo a sorte.
O calar-se pelo avesso...
O aproveitar sem compromisso.
A sorte.

A vida.
Ávida, me chama...
Cheia de si...
Pedindo mais de mim.

Mais no fim...
Mas, no fim...
A chama que queima...
Incendeia amor em mim...

Amo-te, ó vida!
Que de morte faz viver...
Desagrega e desune...
Para, no fim, em pleno gozo eternal...
Pedir-me que abaixe o volume...
Que transceda a cueca molhada no varal...
Que acenda o fogão à lenha...
Que continue a viver e espremer o creme dental...

Ó, morte de minha fé!
Parafraseio Planchêz...
Sorte de poucos...
Raros e loucos...
Que vêem poesia no lápis de cor quebrado...
No sorriso rouco do moleque apaixonado...
Nas lágrimas eternas dos que sofrem calados.

Vai, ó morte!
Desagrega e desata o nó...
Desata os nós...
Mata, desarruma e retifica...
Venha a nós o vosso sopro!
Faz viver, dê consciência do agora que se perde...
Agora...
E agora...
E agora...
E agora...
E agora...
E agora...
E agora...
E agora...
...agora...

quarta-feira, setembro 09, 2009

Sonho que Sou


Assalto-me com a brincadeira...
Rio-me de mim...
Assisto-me com os olhos escorregadios...
Repito-me em gestos e sons...
Calejo o coração vazio...
Rastejo a barriga no chão...
É como crescer para baixo...
É entregar-se à solidão.

Carrego-me com as mãos...
Acaricio-me a cabeça...
Faço cafuné, de coração...
Amo-me...
Odeio-me em te ver...
Arraso meu ser...
Só por que sinto que te quero muito...
Sinto que quero você...

Estapeio a mim mesmo olhando ao espelho...
Sangra o coração...
Repito-me...
E de novo e de novo e de novo...
Arranho-me com unhas grandes...
Odeio-me...
Amo-me ao te ver...
Cresço em você...
Só por que sinto que posso mais sem você...
Sinto que quero viver...

Assombro-me com a sombra que me sobra do passado...
Bebo... a sobra e, ainda sóbrio, escolho a embriaguez...
Caio, arrasto-me, arranho-me, acolho a dor...
E dormente, entendo que a dor mente...
Como a mente que se abre para si...
Expande, explode num som visceral...
Que de nada vale, pois é puro jornal...
Pura publicidade central...
Puro ódio que em mim provoca, esse engodo infernal...
Assombro-me com o que de mim escorre...
Sopros fugidios de um ódio escondido...
De um tédio mentido...
De um sorriso encenado...
De conhecer o caos nos olhos calmos de uma mulher...
A serenidade destilando o veneno do ódio e do medo...
O vento em final de tarde...
O pôr-do-Sol...
O abraço apertado...
O banco de concreto gelado...
O sorriso falso ao meu lado...
Você.

domingo, julho 26, 2009

Modernidade e Mentira


Sinto-me...
Assim, tonto...
Tanto...
Informo-me...
Assintomático...
Assim...
Automático.

Controlado por rede...
Controle remoto...
Desde tempos...
Arrependo-me da primeira vez que liguei uma TV...
De todos os canais...
Informes formadores de mente desconexa...

Signos...
Modernos e insossos...
Sons... ouço...
Insalubres... insanos...
Calabouço.

O show de poucos espectadores...
Que jogam com minha vida...
Divertem-se...
Alegam que psicotizei...
A realidade intangível, que eu inventei...
- "Esquizofrenia!"

Imagens...
Símbolos...
"Compre já!"
"Adquira agora mesmo!"
"Mas isso não é tudo!"
Parcela-se felicidade a baixas taxas!

Mastigo, todos os dias...
O chiclete da discórdia!
Fumo o crack e a maconha da desilusão...
Cheiro o pó branco e anêmico...
Da tela da televisão...
Das letras da internet...
Das imagens e sons do "além"...

Que sou, nesse mundo de significados pré-fabricados?
Que coisa me tornei nessa insanidade de fábricas?
Que estorvo estou agora diante de mim?
Qual a fonte infindável do eterno fim?
Que perguntas respondem, enfim?
Quais calúnias enfrento em mim?
Quão sincero eu sou assim?
Quais mentiras inventei?
Que mentira me tornei?
De que sou feito?
Símbolos ôcos?
Letras e sons?
De quem?
Signos?
Fim?
Sim.