segunda-feira, novembro 01, 2010

D'um Mar...

 
Amar é estar preso à liberdade de prender-se a alguém que nos deixa livres...
Porque, se preso e parados estamos, cedo morreremos...
O vôo só pode ser efetuado em espaço aberto...
E amar é semelhante a voar...
Difere-se apenas num ponto só, pois amar é a dois...
Como um voar de mãos dadas...

Em pleno abismo cair...
Sentindo o livre cair...
O livre ser, de um ser em si para o outro...
Amar é estar livre em prisão solta do coração de outro alguém...
Quando o coração próprio apropria-se do voar...

As asas são o vento...
Os olhos, a apreensão...
A vontade de ter...
De ser, enfim...

Amar...
É mar em sua imensidão...
É ar, é luz, é vôo na escuridão...
Donde a confiança se torna parca iluminação...
Que cresce quanto mais se avança...
Quanto mais se vai, mais força alcança...

É crer-se resignação...
Que faz o bem querer por pura vontade...
Puro desejo de bem querer...
De bem sentir...
De ser-se para alguém...
O amor.

quarta-feira, outubro 20, 2010

Cavaleiro de Guerra



Sob o Sol ardente...
A poeira incandescente...
Sopra o vento da luta e batalha...
São eloquentes tempos de guerra...
Abasteçam os olhares em sangue e carnificina!
Banhem-se das cores mortas e sangue vivo!

As trompas e trompetes se acordaram...
Definiram-se para reluzir o brilho prateado das espadas...
A respiração ofegante ante o caos de vento e poeira...
Os olhares da dama preferida que o acalma...
E o sorriso doce daquela que ele ama...

Correm os guerreiros em face da morte...
Agitam-se as arenas de vozes e trovões...
Há raios que cobrem os ares quando as espadas se cruzam...

Uma voz...
Apenas uma voz...
Naquele turbilhão de insanidade acalorada...
Fez-se ouvir pelo cavaleiro de guerra...
Aquela voz...
Doce...
Delicada...

A força se duplicou naquela fisiologia, já, de guerra...
A respiração e a postura que se vê são a vitória adiantada...
Quando em verdade, em riste, está a espada...

Agarra os sons e os olhares...
Daquele que luta por um amor...
Tem sangue, tem guerra, tem luta, tem suor cavalgando em um coração...
Arranca da alma o valor da indignação...
Pois amar é doar, é ser tudo para si e, de si, tudo para quem se ama...

Vê, pois, a sorte que se assujeita...
Volta e preenche o amante lutador...
De força, espada e agressão...
Provoca morte ao opositor...

Eles lutam pela vida...
Ele luta por ela...
Ela o vê e suspira, tensa, junto ao seu lenço...
Uma lágrima lhe sobrevém ao imaginá-lo caído ao chão...
Aperta-lhe forte no peito, a angústia com sua potente mão...

Mas ele tem nos olhos o golpe sobre seu adversário...
Os dentes rangem ante a força aplicada...
Na mente, seu objetivo maior...
Viver nos braços de sua amada...

Eis o cavaleiro de guerra...
Dominado pelo doce sorriso de uma guria...
Toda aquela força agressiva...
Amaciada pelo toque sincero e meigo de uma menina...
A mulher...
Aquela que de doce força domina...
Domina o guerreiro da vida, que luta contra a morte...
Todo santo dia.

domingo, setembro 05, 2010

Egoísta




Sou muito egoísta para dividir minhas derrotas com o Diabo...
Sou insano e introspectivo ao ponto de suicidar, meu ego...
E depois fazê-lo ressuscitar em dó da perda de mim...
Meu amor por mim é paixão severa e incapaz de soltar os laços...
Nem posso chamar de amor, é dor apaixonada de um fraco por um forte em ilusão...
Nem sou eu mesmo, é só uma parte exemplar...
O exemplo que nunca deveria ser seguido...
Meu egoísmo é ismo de toda hora...
É doença capaz de capar, castrar qualquer ação vociferante...
Qualquer queixa inebriante de voz feminina que clama em chama e pega fogo...
É aquela voz que é nada, mas que se insiste em ser algo...
Sou muito egoísta para conceber deuses em meus atos...
Sou eu mesmo, de ego e de vozes esquizofrênicas em plena neurose...
Insandescências sadias em meio à psicose social...
Um igual...
Um sadio?
A igualdade da psicose social...
Não, um doente.
Isto mesmo, um doente é o que sou!
Um doente que segue; como o cordeirinho segue o seu pastor...
Isto, sigo a doença social...
As ilusões adotadas socialmente...
As religiões, as drogas, as novelas, os futebóis...
Isto mesmo! Sou mais um do mesmo...
Um igual e diferente... mas igual...
Sou isto, sou aquilo e aquiloutro acolá...
Vario, desvaneço em fuligem...
A fumaça do cachimbo...
(“liberem já!”)
Ou me arrepio em sorrisos...
(quando a novela irá começar?)
Ah, esse eu que não sou!
É parte inerente ao onde não estou...
É parte, partida, corrida...
Me despeço e vou...
Não eu, mas Eu...
Vai embora, ó insânia!
Morre, desgraçado agressor!
Fingido de uma figa!
Sou mais que a dor...
Vou voar, bater asas desse lugar...
Subir para mais alto, de onde eu possa ver...
Você, lá embaixo...
Procurando por mim...
Enfim, vou ficar mais para cá...
Deixar você seguir...
Ao nada e se desfazer...
Voltar de onde saiu...
Tomarei estas rédeas!
O sucesso é o meu lugar!
Boa sorte, em tua sorte errante para o nada voltar.

sexta-feira, setembro 03, 2010

O Retorno




Ele caminhava cabisbaixo...
Pensamentos ecoavam em sua mente...
Um beco escuro...
Silêncio, quebrado apenas pelo vento...
Que trazia de longe um jazz...
Naipes de sopro e um piano desafinado...
Estava perdido num deserto de concreto...
Imerso na noite de estrelas como teto...
Caminhava enquanto nuvens caíam aos montes...
Esbarradas num céu semicerrado...
E um chão de concreto...
A voz em sua cabeça ressoava dissonâncias...
Sua pele escorregadia, de suor e bonança...
A cachaça, pinga do bar do beco...
As risadas solitárias de bebuns enclausurados...
Os quase-nada que nadavam em si e só...
Agora, uma rala chuva o tocava...
Um ventinho soprava embora aquele calor...
Viu, ao longe, um cachorro se abrigando da chuva...
Mosquitos em volta da lâmpada indo-se...
Um taxi branco passando lentamente...
Estendeu a mão...
Foi-se, então, embora.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Em Sangue


O inferno de cada dia...
O fogo ardente de dentes a ranger...
A fúria insana que nos toma...
A foice sagrada da maldição.

Seguiu em viagem a caminhar...
Caminhos ocos experimentou...
De vida vazia e vasos sem terra a plantar...
Seguiu em viagem a marejar...

O inverno de cada noite...
Sem cobertor para acariciar...
 Os lábios malditos quisera beijar...
De mordidas sem fim, de sangue a sugar...

São insanos estes desejos vampirescos...
São o som de sonos e meros lampejos...
Da alma que acalma a cama e o carma...
Os dentes afiados a mordiscar...

Este é o passeio inodoro...
Os passos mergulhados nas travessias oceânicas...
Desse infindo mar de nadas...
E águas saguinolentas...

A foice e o destino...
A morte e o desatino...
Sarou-se em saúde mais humana...
Ao descobrir-se e banhar-se num mar de lama...

Sarou-se em si...
Descobriu-se perverso...
Um sociopata!
Aquele que está aí, aqui e acolá...
Viveu em luz, as sombras malditas...

Atravessou o céu...
Mergulhou em mar de sangue...
Banhou-se em si...
E ao inferno voltou.

quinta-feira, julho 01, 2010

Nublado e Chuvendo


Estou triste hoje...
A chuva não quer parar...
O espaço entre mim e o nada quase que são imperceptíveis...
Hoje eu posso chorar...
A fraqueza inerte diante de todos...
Mas a coragem em atuar de peito aberto diante da vida...
Hoje eu vou correr diretamente aos meus braços...
Irei me jogar diante de mim mesmo e ver, de lá, aquele corpo largado...
As lágrimas que se confundem com a chuva é puro clichê.
Mas aquelas que me inundam por dentro, nem sei dizer...
É pura abstração arredia de quem insiste em se manter...
Sagacidade aparente, vento e ventre em consonância...
Solto a voar, a cair, a chorar, a nadar nesse mar de águas, de lamas, de lágrimas...
Salto nesse mar...
Hoje eu posso chorar...
Aliás, devo fazê-lo.
Em constante arrepio de visão espiritual...
Como quem gela diante do susto do desconhecido...
Sobe, em meio à tempestade de si aquela energia que comprime...
Arrasa e expande...
Há um contato em primeiro grau...
Com seres de outras galáxias de si...
Assustam, ensinam, alargam a alma insalubre...
Advertem do nada que são.
(Assustam outra vez)
Somem em tornado e contorno dissonante...
Sou homem em transtorno e sonoro instante...
Sumo e apareço em cascata verdejante...
De sóis e raízes...
Da cobra, o ventre...
Das nuvens, gotículas imersas no ar...
Estou triste, isto é um fato.
O choro? São lágrimas salgadas deste mar.
São íntimos instantes...
Instalados e transbordantes...
Experiências intransferíveis.

terça-feira, junho 15, 2010

A Sonhadora Matéria¹


Sim, somos matéria...
sonhadora...
poética...
inédita...
a todo momento...
destilando palavras ao vento...
ao mar...
ao movimento...
Desejando ser mais, não mais os mesmos...
Matéria desmedida... composta por palavras fugidias...
Instinto e agonia...
Somos o salto do infinito...
A manifestação do que não pode ser dito...
Somos a sonhadora revelação...
Divina realização de sonhos e de medos...
De águas cristalinas e serenas...
De mares revoltos e estranhos...
De caminhos, catarses, cantores e amantes...
Da arte, do ar, do vôo, do breve instante.
 
_______________
Resposta a um recado orkutiano homônimo a este título da amiga Jackie Bacelar.

domingo, maio 16, 2010

Livre


Caminhou pela escuridade adentro...
Atravessou os astros, estrelas fugidias...
Não sabia que o escuro era a ponte...
A fonte de horrores intangíveis...

Distante, pôs-se a caminhar sem saber...
Caminhos de nuvens persistiu em percorrer...
Segurou-se no nada para em asas viver...
Voou... voou sem querer...

A ponte era o limite de outrora...
Agora, a vida toda ignora...
Voa...
Encontrar-se-á a águas doces de maçãs...
A águas amargas de manhãs...

O lugar apinhou-se de gente...
Gente, antes estrela reluzente...
Viram um mar a voar solto pelo ar...
O céu azul de tanta água a passear...
O lugar de nadar tornou-se um flutuar...

Mergulhou intensamente...
Nadou um tanto desajeitado...
Viu peixes e mares ao céu...
Sorriu-se de si diante de inusitado lugar...
Olhou para baixo e viu longe formigas curiosas...

Era a fonte aquele instante etéreo...
Contemplou-se no espelho d'água...
Dinamizou o coração amarrado...
Soltou-lhe as correntes e deixou avoar...
"Avoa!", gritou bem alto.

Descobriu-se, qual Alice, num sonho arredio...
Andou anos mais tarde...
Por onde mais cedo viu-se infantil...
De brinquedos e crianças...
Das virtudes e das danças...

Olhou-se na luz do agora...
Não mais fugiria do presente-instante...
Pois é ali, no insosso e melancólico...
No colorido cheiro de força e ação...
Onde tudo passa a existir...
Onde anda em passos firmes...
Seu nobre coração.

__________
Imagem de minha autoria. Clicando nela você poderá visualizá-la maior.

terça-feira, maio 04, 2010

Reflito...

 E eu?
Bem, suponho que a vida seja uma só...
Que o limite seja o corpo...
O copo de bebida amarga...
A inércia do viver...

Suponho ainda mais...
Que minhas palavras são fugidias...
Suponho que minhas vestes se estragam antes de eu perceber...
Que meus cabelos estão bagunçados sempre...
Que a vida é violão em mãos errôneas...

Vou além...
Digo que tudo é nada...
Que a vida é canção armada...
É o nada que intenta aparecer...

Digo e repito:
Quer aparecer? Pendura em ti uma melancia... 
Já dissera meu pai...
Meu avô...
Meu direcionador e cuidador.