quarta-feira, setembro 30, 2009

Sonho e Solidão

Foto Feita em estrada logo após Gandu, Bahia...


Sonhei que estava só...
Sorrí, que dava até dó...
Surtei, transformei-me em pó...

Estava eu a caminhar...
Por terras quase infindas...
Que de só, só o Sol em mi maior...

Estava lá a me embriagar de mim...
Sonhei e só...
Só, adormeci...

Cantei, quando acordei...
Mas logo descobri...
Só.

Estava eu, lá esticado...
Em rede vermelha a se balançar...
Passarinho toda hora a cantar...

Vento calmo mexe a rede...
Brisa leve eleva e resfria o calor insandescente...
Incandescente luz de lá...

A luz que alumia a alma adormecida...
Que vagueia por si...
Em qualquer lugar...

Se pó, já não sei...
E dó, só de violão a chorar...
Mas só, sempre hei de caminhar...


segunda-feira, setembro 21, 2009

Vale a Pena


Perguntei-me: O que vale a pena para ter minha insistência?
Minha persistência...
Minha arrogância...
Distância e aproximação de mais...
Sei que posso.
Sei quem sou (?)
Acho que sei...
Sinto que sei...



Sim, há algo que vale a pena...
Vale a cena...
A noite perdida...
A lágrima caída.
Há, sim!
Vale...
Profundo...
São...
E doente também...
Tanto faz.
Importa que importa a mim.

Há.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Violentamente Pacífico

Parece que Karl Marx estava correto… A tomada de poder não pode ser por outra via que não do próprio povo… Aí vai um vídeo que achei incrível, chocante, reflexivo e tudo que muita gente precisa ouvir…

quarta-feira, setembro 16, 2009

AMO(R)TE



Amo-te.
Agora.
Amor...
A morte inodora...

Amo-te.
Ameniza a dor daqui...
Amadurece e eterniza...
A morte.

Amo-te.
Gracejos cristalinos de mentiras...
Caem e quebram-se...
Amo-te, ó morte...

A morte.
A ti.
Aqui e agora, amo...
Amor.

A dor.
A sorte insana dos viventes...
A cor insapiente...
O fim, a morte...

Amo-te.
Amo a sorte.
O calar-se pelo avesso...
O aproveitar sem compromisso.
A sorte.

A vida.
Ávida, me chama...
Cheia de si...
Pedindo mais de mim.

Mais no fim...
Mas, no fim...
A chama que queima...
Incendeia amor em mim...

Amo-te, ó vida!
Que de morte faz viver...
Desagrega e desune...
Para, no fim, em pleno gozo eternal...
Pedir-me que abaixe o volume...
Que transceda a cueca molhada no varal...
Que acenda o fogão à lenha...
Que continue a viver e espremer o creme dental...

Ó, morte de minha fé!
Parafraseio Planchêz...
Sorte de poucos...
Raros e loucos...
Que vêem poesia no lápis de cor quebrado...
No sorriso rouco do moleque apaixonado...
Nas lágrimas eternas dos que sofrem calados.

Vai, ó morte!
Desagrega e desata o nó...
Desata os nós...
Mata, desarruma e retifica...
Venha a nós o vosso sopro!
Faz viver, dê consciência do agora que se perde...
Agora...
E agora...
E agora...
E agora...
E agora...
E agora...
E agora...
E agora...
...agora...

quarta-feira, setembro 09, 2009

Sonho que Sou


Assalto-me com a brincadeira...
Rio-me de mim...
Assisto-me com os olhos escorregadios...
Repito-me em gestos e sons...
Calejo o coração vazio...
Rastejo a barriga no chão...
É como crescer para baixo...
É entregar-se à solidão.

Carrego-me com as mãos...
Acaricio-me a cabeça...
Faço cafuné, de coração...
Amo-me...
Odeio-me em te ver...
Arraso meu ser...
Só por que sinto que te quero muito...
Sinto que quero você...

Estapeio a mim mesmo olhando ao espelho...
Sangra o coração...
Repito-me...
E de novo e de novo e de novo...
Arranho-me com unhas grandes...
Odeio-me...
Amo-me ao te ver...
Cresço em você...
Só por que sinto que posso mais sem você...
Sinto que quero viver...

Assombro-me com a sombra que me sobra do passado...
Bebo... a sobra e, ainda sóbrio, escolho a embriaguez...
Caio, arrasto-me, arranho-me, acolho a dor...
E dormente, entendo que a dor mente...
Como a mente que se abre para si...
Expande, explode num som visceral...
Que de nada vale, pois é puro jornal...
Pura publicidade central...
Puro ódio que em mim provoca, esse engodo infernal...
Assombro-me com o que de mim escorre...
Sopros fugidios de um ódio escondido...
De um tédio mentido...
De um sorriso encenado...
De conhecer o caos nos olhos calmos de uma mulher...
A serenidade destilando o veneno do ódio e do medo...
O vento em final de tarde...
O pôr-do-Sol...
O abraço apertado...
O banco de concreto gelado...
O sorriso falso ao meu lado...
Você.

domingo, julho 26, 2009

Modernidade e Mentira


Sinto-me...
Assim, tonto...
Tanto...
Informo-me...
Assintomático...
Assim...
Automático.

Controlado por rede...
Controle remoto...
Desde tempos...
Arrependo-me da primeira vez que liguei uma TV...
De todos os canais...
Informes formadores de mente desconexa...

Signos...
Modernos e insossos...
Sons... ouço...
Insalubres... insanos...
Calabouço.

O show de poucos espectadores...
Que jogam com minha vida...
Divertem-se...
Alegam que psicotizei...
A realidade intangível, que eu inventei...
- "Esquizofrenia!"

Imagens...
Símbolos...
"Compre já!"
"Adquira agora mesmo!"
"Mas isso não é tudo!"
Parcela-se felicidade a baixas taxas!

Mastigo, todos os dias...
O chiclete da discórdia!
Fumo o crack e a maconha da desilusão...
Cheiro o pó branco e anêmico...
Da tela da televisão...
Das letras da internet...
Das imagens e sons do "além"...

Que sou, nesse mundo de significados pré-fabricados?
Que coisa me tornei nessa insanidade de fábricas?
Que estorvo estou agora diante de mim?
Qual a fonte infindável do eterno fim?
Que perguntas respondem, enfim?
Quais calúnias enfrento em mim?
Quão sincero eu sou assim?
Quais mentiras inventei?
Que mentira me tornei?
De que sou feito?
Símbolos ôcos?
Letras e sons?
De quem?
Signos?
Fim?
Sim.

sexta-feira, julho 24, 2009

Segue


Permito-me, só desta vez, abandonar...
Deixo o barco...
A porta aberta...
A janela destrancada...
A luz acesa...
O cachorro sem água...

Deixo...

A geladeira aberta...
A cerveja esquentando...
A tv ligada no Faustão...
A menina que me olha de soslaio...
Os amigos fiéis...
A chuva estragar meu trabalho...

Deixo...

A morte me olhar...
A sorte não me escolher...
A irritação me tomar...
A raiva e surto me fazer voar...
A torneira aberta...

Deixo...

E só agora deixo...
Um tempo todo,
Um minuto...
Uma hora...
Uma década...
Uma vida...
Permito-me, desta vez, sonhar...

quinta-feira, julho 23, 2009

A bela e o fora...



Ela brilhava...
Todos a olhavam...
A rodeavam sem nela encostar...
Enroscavam-se em meio às palavras...
Deduziam dizeres caleidoscópicos...
Dos lábios carnudos que sorriam...
Ó, aqueles lábios que nada queriam...
Era somente uma face tentando ser desejada por muitos...
E deu certo.

Agora, os que olhavam, se achegavam...
Diziam coisas ininteligíveis...
Cortavam uns aos outros atropelando-se...
Passavam vagueando entre um gole e outro...
Era a desejada da festa...
Todos a queriam...
Nem que fosse para olhar.
Ela se chama Maria.
"Mary", como insistia em se chamar...
Apresentou-se.

Cada cavalheiro tentava a face lhe beijar...
Mas como uma sagaz sedutora, com um fora
Fazia-os se afastar...
É como a nobre equivalente...
Dos Don Juans e Casanovas...
Sua beleza se traduzia em gestos majestosos...
Ou, quiçá, má-gestosos...

Só sei que naquela noite frondosa de céu estrelado
E recheado de cheiro de rosa,
Muitos foras a bela mandou...
Muitos "nãos" ela arriscou...
Ao final de tudo, fiquei-me a me perguntar...
Quem deseja ter o inalcançável olhar?
O que antes era desejo, tornou-se o impossível...
E a bela feriu-se de foras e de fora para dentro...
E fora embora a olhar para o chão...
Procurando os restos caídos...
De sua total solidão.

__________
1 - Imagem de minha autoria. Chamo-a de Rosas Cubistas.

quarta-feira, julho 22, 2009

Engana-se


Salvo engano, o engano morreu...
Gritam: "Salvem o engano!"
Por quê? O engano correu?!

Ora, quem corre, vivo está...
Então, salvo engano enganado foi...
E junto com ele, fui eu...
Demente insano que crê...

Corre solto, o engano, agora...
Corre e pulula festejando...
O caos instaurado, a calúnia de ser quem está certo...
O erro de acertar para muitos...
De ser correto e não duvidar...

De sair e festejar...
A alienação do engano e da traição...
De si para si...
De auto-engano...
A cegueira que se escolhe vivenciar...

A torpe nojeira do vômito que engasga...
Sufoca a mente...
Toda imagem horrenda é pouco para descrever a alienação...
Vomitar é festa em dia de comemoração.

Os porcos se regozijam,
Se entreolham com sorrisos de canto de boca...
Rolam pela lama, esfacelam o resto de dignidade...
E, como numa rinha, arrancam com os dentes a carne do outro...

"O inferno é o outro", certamente...
Mas é o outro como espelho do inferno interno...
Da lama, alma má...
Que escorre, em vez de sangue e dignificação...

É o engano, a tragédia do acidente...
Que não mais soa como tal...
Soa como planejado em ares de acaso...
A morte planejada...
A fome planejada...
A sede planejada...
A debilidade planejada...
Pelos senhores do engano...
Os senhores da alienação!

O cérebro derrete...
Inflama a emoção...
Festejam as sete mortes...
Que vêm dos sete cantos...
Encantos sete mil...
Das memórias contadas...
Pelo infame mestre vil.

Arranco do peito o coração...
Bate ainda e eu o olho fixamente...
Sem nada no pensamento, sinto o sangue quente a escorrer...
É a parte mais nobre de mim...
É o que me fazia viver...
Morre a ideologia de mim...
Sacode espalhada pelo chão...
Ensanguentada desejando viver...

...morre a ideologia frente à alienção...