quarta-feira, outubro 08, 2008

Sinceridade...



Acabo de descobrir a origem desta palavrinha que muito pesa... pois possui um significado amplo e necessário às nossas vivências...
Conta-se que em Roma alguns daquela sociedade trabalhava na confecção de vasos. Diz-se que alguns deles conseguiam fazer vasos tão transparentes com um tipo especial de cera que os romanos se admiravam e falavam: - Que lindo, parece até que é feito sem cera! "Sine-cera"!
Isto denotava um vaso perfeito, finíssimo e delicado. Hoje, sincero é aquele que se deixa ver, que demostra seus sentimentos e pensamentos sem necessidade de embaçar o entendimento do outro para se esconder; é aquele que é franco, verdadeiro. Necessário, não?

quarta-feira, outubro 01, 2008

O olhar...




O que você faria sem o olhar do outro?
O que pensaria diante do ignoto?
Seria limitado quanto aos limites?
Seria insano diante de próprios palpites?

Há um abismo que o separa do ato...
O nome do abismo é o outro...
O peso moral que estraçalha o escopo...
A casa ideacional que limita o corpo...

O que eu seria sem o olhar do outro?
Seria a insânia ilimitada e louca?
O ilimitado injusticeiro do outro?
Daria ouvido às próprias vertiginosas viagens?

Sou a separação abismal...
O sistema colossal de uma muralha ardente em chamas...
O olhar é a barreira intransponível...
Em qual nível?

segunda-feira, setembro 29, 2008

O Poder da Fé


A primeira coisa que devemos perguntar é: A fé tem poder?
Claro que sim! Note como ela muda comportamentos e direciona-os...
A segunda é: Se ela tem poder e muda comportamentos, para que ela serve?
Ora, beneficiar!
A terceira: A quem ela beneficia?
Hummm... essa é mais difícil de responder...
Vamos lá. Poderíamos dizer que quem se beneficia é aquele que tem fé, que acredita... Mas se aprofundarmos um pouco mais a discussão, poderíamos a começar enxergar pessoas que se beneficiam das crenças dos outros. Vejamos um exemplo: acredito que presidente é alguém superior a mim. Logo, não me vejo como alguém que pode se rebelar contra os atos dele, é como se ele fosse um deus, inalcansável, inquestionável...
Mas não é justamente isto que acontece em nossa sociedade alienada?
Poderíamos mudar o título desta postagem para "O Poder Simbólico", uma vez que é isto que explica a nossa condição de vida. Não é o papel com um texto e uma assinatura que garante que algo é legítimo. O que dá essa garantia é a nossa crença de que aquilo possui o valor que dizem que tem. Mas essa crença sozinha de nada pode servir; como falei no início, essa crença deve produzir comportamentos. Preciso ter a fé de que esta crença é a verdade.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Note-se


Note em si qual o valor que você se dá...
Compare ao valor que você dá a outrem...
Questione-se acerca de quem é esse outro...
Pondere e veja se esse outro é parte de você como família...
Interrogue o por quê de um outro outro não fazer parte do valor que você dá...
Liberte-se de si, e se pergunte por que o outro te incomoda...
Note-se!
Veja em si o conteúdo do outro...
A tua acusação do outro pode ser a acusação própria...
Se o outro te irrita tanto, se olhe para saber se não é algo mais profundo...
O valor que você dá ao outro é o valor que você dá a você...
Note-se!
Entenda mais sobre si...
Pergunte a si sobre si...
Ponha interrogações em tuas certezas...
Não seria hora de viver melhor?
Não é o momento de mudar para melhor?
Viver no choro é horrível e insalubre...
Mude!
Note-se!
Ser feliz é nossa missão.
Se supere.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Estou...



Fico o tempo todo a pensar...
Quantas vozes vou escutar...
Antes de comparar...
Quantos atos inatos sou...

Passo o tempo a me incomodar...
O que de fato estou...

Sendo um ato à parte do pacto
Que combinei com o que sou...
De mim comigo mesmo...
Comigo, de mim mesmo...

Mudo o tempo todo a esperar...
Qual uníssona música cósmica...
Que insônia me trará...
O fato fortuito que há de revelar...

Qual o tempo que passo a me incomodar...
Com o que de fato estou...

Passo a largo do caminho estranho
Que escolhi...
Do enorme rebanho que me desprendi...
Tornei-me pastor de mim...

Eis a minha escolha escorregadia...
Dei-me o presente de ser para mim...
O presente de ser o meu sim...
O presente de ser o meu não...

Fiz-me um jeito de não ser...
O ser que não quero ter...
Faço um jeito de ter...
O ser que faz parte de mim...
E questionar, enfim...

Qual o tempo que passo a me incomodar...
Com o que de fato estou...

quinta-feira, setembro 11, 2008

Atitude de Última Hora




O engravatado chegou anuciando a novidade:
- "Vai ter festa na cidade!
Luzes, banda e som!
Só para matar a saudade!"


E eu, que estranhei a atitude, mandei:
- "Para matar a saudade e ludibriar o povo de verdade"
E com olhos grandes me olhou,
Entendendo-me como aquele que mostrou
O engodo que possui velha idade.


Mas não se sentindo derrotado, o da gravata arriscou:
- "E ainda vamos inaugurar o posto de saúde e o calçamento novo."
E eu, mais uma vez, esclareci ao povo:
- "Depois de quatro anos sem atitude,
de última hora você tenta remediar a inércia, a inatitude"


- "Mas eu não aceito tão imensa crueldade
Para com aqueles que fazem esta cidade
Que com empenho constrói,
E você, com cinismo destrói!"

segunda-feira, setembro 08, 2008

A Ética Adulta



Hoje me veio à mente algo que gostaria de compartilhar... Os brasileiros absorveram um péssimo costume de considerar o "jeitinho" como algo brasileiro. Eis o caos instalado na mente de cada um e que propagamos sem saber que o estamos fazendo! Extirpemos tal afirmativa! Que o tal jeitinho se esbarre contra o chão, caindo de alturas inigualáveis e morra, sem chance de sobrevivência. É na fila do banco, na hora de comprar o pão, no supermercado, sei lá! Enfim, olhemos nossos atos e falemos em alto e bom som, quando alguém se sentir melhor do que outrem ou do que nós mesmos, que ele é um igual, seja ele "padre, doutor ou policial que acha que está contribuindo para o nosso belo quadro social", como advertira Raul Seixas.
E agora, chega a hora de eleger um candidato a cargo político. Como poderemos exigir ética deles, se cometemos a corrupção de furar fila, de querer vantagens com "amigos" na avaliação de um emprego, de uma prova, no contato de "QI" (Quem Indique), e muitas outras "coisinhas" que nos fazem um país em péssimo estado de distribuição de renda, de baixa esperança de mudança, de não acreditar que um outro seja capaz de ser honesto a ponto de ser notícia no jornal televisivo quando alguém devolve um dinheiro achado. Péssimo estado de coisas!
Dá-me náuseas pensar em tais comportamentos que reforçam ainda mais o estado depressivo de nossa vida cotidiana, que nos fazem o país do povo alegre, mas não feliz. Questionemos este estado de coisas... lembre-se, estado. É assim que nosso futuro poderá ser melhor, questionando, ensinando com exemplos verdadeiros, que promovam qualidade de vida para todos, pois quando o outro está bem, está feliz, fica mais fácil sermos felizes, estarmos bem. Pense nisto.

quinta-feira, setembro 04, 2008

(Des)Construtor de Verdades...


Disseram: “chorai com os que choram”... Eu vos digo: rí com os que choram, pois eles assim perceberão como fazer para dar novo significado à sua questão.

Disseram: “Bem-aventurados os que têm um coração pobre, porque deles é o Reino dos Céus!”... Eu vos digo: enriquecei o espírito com todo o conhecimento que puderes adquirir, pois é assim que aprenderás a ser muito mais e viver o "céu" aqui mesmo.

Disseram: “se te ofenderes, dai a outra face.”... Eu vos digo: não deixai quem quer que seja te afrontar num primeiro momento, evitai conflitos maiores, resolvendo os menores, pois assim conviverás melhor.

Disseram: “Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!”... Eu vos digo: nunca confunda paz com passividade! Pacíficos são aqueles que admitem que a guerra serve-nos para valorizar a paz. Pacíficos são todos que preferem não ser chamados “filhos de Deus”, já que os ditos filhos de Deus comumente se percebem como superiores e donos da verdade, inventando ilusões que causam conflitos e agressividade.

Disseram: “Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de Mim.”... Eu vos digo perguntando: você aceitaria ser perseguido por que acredita em Papai Noel? Em coelhinho da páscoa? E em fadas? Não?! Então por que idiotice você aceitaria tal conselho do morto na cruz?

Disseram: “Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!”... Eu vos digo: Se fôreis mansos, tenhais certeza que o máximo que conseguirás é a mendicância! Lutai, sejais fortes e auto superadores e, aí sim, possuireis a terra!

Disseram: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!”... Eu vos digo, traduzindo: Ser “puro de coração” e “ver Deus” é morrer cedo! Seja “puro de coração” se não se ama o suficiente para viver mais!

Disseram: “Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus...” Eu vos digo: Alegrai-vos e exultai aqui e agora, pois o tempo futuro não existe, somente poderá existir – e lá, será presente. Nunca existiu futuro! Tem mais, se quiseres recompensa, porfiai que ela seja paga aqui na Terra, não no céu, pois quem garante que ele existe?

terça-feira, setembro 02, 2008

Sobre Você...



Minha fonte era eu mesmo...
Minha força era eu mesmo...
Meu norte, eu mesmo...
Era uma auto suficiência marcante...
Coisa que deixava o outro intolerante...
Transtornava-os, ver-me tão supremo em mim mesmo...
Dizem que os bravos são assim...
Entretanto, ri-me de mim...
Deparei-me com ela...
Você mesmo...
Foi um confronto ao meu poder de outrora...
Foi o amolecimento de um duro coração...
Aquilo que era gelo derreteu...
A montanha se moveu...
As pesadas rochas dissolveram...
Foi a força tão simples e tênue...
Da espontaneidade que eu não encontrava em mais ninguém...
Foi o roçar de uma sinceridade sem precedentes...
Sem precedentes é você...
Um eu absorvido por um outro...
Meu eu, ébrio pela bebida dos deuses...
A honra de não sustentar-me mais somente em mim...
A força do dois... de dois...
Dividi-me...
E você aceitou...
Com um afago, um carinho...
Um jeitinho indescritível...
Amável...