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segunda-feira, novembro 03, 2008

A Arte pela Arte sobressaiu!

O Teatro Mágico
Novidades sem fim têm chegado a mim. Conheci uma linda garota que me surpreendeu. Ela me apresentou um grupo musical chamado O Teatro Mágico (clique aqui para baixar). Aconselho que aqueles que ainda não o conhece e que aprecia boa música que trata a arte como sublimidade do espírito humano, conheça. Vai uma mostra da capacidade poética desta turma!
Criador
Antes que o tempo,
a Clave de Fá, Dó, Si, Lá, Sóis
Antes da noite, uma tarde
Pra cada um de nós
Antes do barco, a chuva
Antes da roda, o frio
Antes do vinho, a uva
E a fruta que não caiu
Antes do homem, o medo
Antes do medo, amor
Antes do amor, a dúvida
Pois nem Deus sabe quem me criou
Fez Madalena e os campos
O vento pra nos soprar
Disse na língua dos anjos
Sentido de ser estar
Fez dessa Terra um cenário
Pras peças que nos pregaram
Fez bico de pena em diário
Pra escrevermos a regra exceção
Criou o perdão e o pecado
Criou a dor e o prazer
Criamos o certo e o errado
E o orgulho pra nos esconder
Daquilo que somos nós...
Aquilo que fomos,
aquilo que somos nós
E tudo que eu criar pra mim
Vai me abraçar de novo na semana que vem
E tudo que eu criar pra mim
Vai me abraçar de novo na semana que vem
Na semana que vem
Antes que o tempo, a clave
Sustenidos e bemóis
Antes do inteiro, a metade
Uma outra parte de nós
Antes do vôo, o tombo luta pra não chorar
Antes tarde do que nunca, pra nunca mais demorar
Pra dilatarmos a alma temos que nos desfazer
Para nos tornarmos imortais, a gente tem que aprender a morrer
Com aquilo que somos nós...
E tudo que eu criar pra mim
Vai me abraçar de novo na semana que vem
E tudo que eu criar pra mim
Vai me abraçar de novo na semana que vem
Na semana que vem
Antes que o tempo acabe...

terça-feira, setembro 02, 2008

Sobre Você...



Minha fonte era eu mesmo...
Minha força era eu mesmo...
Meu norte, eu mesmo...
Era uma auto suficiência marcante...
Coisa que deixava o outro intolerante...
Transtornava-os, ver-me tão supremo em mim mesmo...
Dizem que os bravos são assim...
Entretanto, ri-me de mim...
Deparei-me com ela...
Você mesmo...
Foi um confronto ao meu poder de outrora...
Foi o amolecimento de um duro coração...
Aquilo que era gelo derreteu...
A montanha se moveu...
As pesadas rochas dissolveram...
Foi a força tão simples e tênue...
Da espontaneidade que eu não encontrava em mais ninguém...
Foi o roçar de uma sinceridade sem precedentes...
Sem precedentes é você...
Um eu absorvido por um outro...
Meu eu, ébrio pela bebida dos deuses...
A honra de não sustentar-me mais somente em mim...
A força do dois... de dois...
Dividi-me...
E você aceitou...
Com um afago, um carinho...
Um jeitinho indescritível...
Amável...

segunda-feira, setembro 01, 2008

Era Insana

Insana idade...
Era insana aquela tarde...
E vi corpos caindo de lugares cada vez mais altos...
E os crânios que rompiam ao bater contra o chão...
E o sangue se espalhava sem limitação...
"Há algo errado com o sangue desta gente!" - Gritei.
Era óleo!
Derivado direto do petróleo...
Todos eles se contaminaram...
Com o vazio e a plena loucura do ódio...
Contra tudo o que é vivo...
Contra tudo o que é sangue vermelho...
Aqueles que se vêem, verdadeiramente, no espelho...
E todos eles mergulhavam no vazio...
Não por que desejavam o nada, pois criam tudo ter...
Mas por que perderam tudo, ao tudo ter...
Pois comiam cédulas de dólares ao café...
Molhavam-nas ao querosene ou gasolina ao chá da tarde...
Confesso ter ficado horrorizado e regozijado ao mesmo tempo...
Uma vez que aquela foi a tarde mais horrenda e linda...
Mais amante intensa da vida.

sexta-feira, agosto 22, 2008

O Sonho do Sonho



Quando, sonho, acordado estou?
Quando sonho, acordado estou?
Quando sonho acordado, sou...
Quando acordo do sonho sou mais...
Tão mais que acordo do horror...
De acordo, acordo-me a sonhar...
E nego a vigília para afirmar o sonho...
O sonho sonhado quando nem sei se acordado...
Se sonho acordado e acordo a sonhar,
A vigília posso afirmar?
Ou sonho a vigília para reafirmar o sonho?
Tão logo abro os olhos, imagens tomem conta de mim...
Imagens são sonhos de empréstimo...
Sonhos são imagens de fantasia do real...
Sonhar é acordar do sonho insonhado...
Do sonho insondado...
Do sono insônia-dado...
Do som dado... insânia...
Do grito de ser um dado...
De algumas faces...
Sou o sonho do seu sonho passado...
O sonho da sua cabeça, alojado...
Como o vírus que se acopla aos sonhos vividos, experienciados...
Aquele que te faz viajar sem entender se acordado está...
Estás a sonhar?
Eis a convicção que um sonho pode dar...
A certeza do sonho de acordado estar...

quinta-feira, agosto 21, 2008

Simples


Atitudes tão simples...
Gestos casuais...
Sorriso espontâneo...
Lapso verdadeiro...
E o semblante se alegra...
Faz com que seja real...
Faz-me sentir diante da pureza colossal...
São os gestos importantes...
São as faces imponentes...
De atos tão delicados...
Que me fazem questionar...
Os meus próprios atos...
Que me impõem um tenso olhar...
Da vida sem sentido...
Do tiro à queima-roupa de um suicídio imoral...
Do deixe-o-tempo-resolver...
A frágil construção de uma persona insalubre...
A máscara que cai, diante da beleza irradiante...
Da beleza estonteante em sua simples verdade...
E destensiona a pressão incalculável...
Uma vida auto imposta que outrora era morte...
Mas se contemplo tal simplicidade...
Motivo-me à sanidade...
Da criança que nos ensina...
E que do adulto se aproxima...
Sem palavras, sem verdades...
Só de atitude se faz vontade...
Mas a simples atitude...
Que leva a felicidade...
Que leva à felicidade...

segunda-feira, agosto 04, 2008

A Cura

Textos, pretextos, fora de contexto...
Incute em mentes, tamanha covardia...
A cria da cobra, a agonia...
O disparate sempre insano de uma mente vazia...
Que autentica o palco falso, palanque alto...
A vida medida a passos largos
E ensopados de gordura, enfeiados
Insalubridade incurável
Insanidade indomável
A dor elevada a extremos indecifráveis
A idiotia de um tempo em que se nega a liberdade
O cancêr da concepção e pensamentos tacanhos
Que se acorrenta a si próprio divertindo-se do mal
O tem-se tudo quando nada pode ter
O chiclete do trôco de supermercado
Mascado e que ninguém, em sã consciência, pode mais querer...
É insânia auto-infligida
Como a idiopatia de existência sem precedente
E que se espalha inundando todo o corpo de afecções sem limite...
De infecções e dermatite
Apodrecendo cada órgão e fazendo-os cair
Reduzindo-os a fétido odor,
Que exala o cheiro pútrido das mentiras proferidas a altos gritos de sobre um palco...
De microfone na mão e uma crença vacilante no coração...
Que sua gravata, de forca jamais irá servir...
Mas quero deixar claro que conheço,
Através da História pouco contada
Que a insânia pode ser superada
E as gravatas serão amarradas em árvores fortes
Uma a uma, sem esquecer um único membro da escória bastarda
Pendurá-los-emos pelas gargantas asfixiadas...
O sangue escorrendo das mãos arrancadas e olhos perfurados...
Verei, regozijado, a turba pululando
Ao redor dos corpos podres que se esfacelam levando embora a mentira
E a doença que outrora corroía...
É só assim que a saúde pode voltar a existir...
A superação de um povo sobre o domínio de si

sábado, julho 26, 2008

Tempus Edax Rerum



Como o Vento...
Com o Vento...
Arrasta e Espalha...
Desarruma e desagrega...

Intempestivo tempo!
Infalível força!
Que átomo por átomo
Faz cair...

Pacientemente...
Como quem sabe o que quer...
Que não desiste um milésimo
De segundo qualquer

Irredutível!
Implacável!
Inexorável força!
Que a tudo enforca

Corrói a tudo
A força a tudo impõe
E arrasta e espalha...
E não pode desistir

Sua fraqueza é sua força
Não sabe parar
Não se limita diante de nenhum
Tempus edax rerum!