sábado, março 07, 2009

Provocação



Todo museu tem a provocação do relógio...

Toda arte tem a provocação da cegueira...

Todo cinema tem a provocação do andar em direção à saída...

Toda a poesia tem a provocação dos ouvidos surdos...

Toda provocação tem a provocação da indiferença...

Em tudo há provocação, mas podemos escolher em que haverá indiferença.


sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Uma Visão Mística da Vida...


Não sou adepto de misticismos, espiritualismos e mais outros "ismos", cabe salientar aqui. Entretanto, devo admitir que uma visão holística, aquela que considera o todo, às vezes soa como algo místico e é isso que estará aqui, uma visão holística da vida e da realidade. Bem, há algum tempo comparei a vida com um pacote de gudes. Aqui, serei um tanto mais abstrato, porém serei didático o mais possível. Pois bem, vejo nossa realidade como pertencente a um todo, a Natureza. Sabemos que a Natureza obedece um equilíbrio que está fora de nosso controle. Por exemplo, o derretimento de geleiras e o aquecimento global pode ter, sim, um dedinho dos humanos, mas o controle disto está muito longe de nossa força conjunta (como se isso fosse provável!). Por que? Ora, se há catástrofes é por que a Natureza está tentando restabelecer o seu equilíbrio, pois isso é natural (mesmo que isto pareça redundante...). O equilíbrio é o que governa a Natureza e nós fazemos parte Dela. Mas nós, humanos, temos uma capacidade diferenciada que nos permite sair desse equilíbrio: podemos trabalhar com idéias. É aqui que entra uma visão "mística" da realidade. Se há um equilíbrio natural e eu posso interferir na realidade, pode ser que eu acabe desorganizando a realidade além do que sou capaz de lidar. O resultado disto são os altos níveis de estresse e sua decorrência, cânceres, gastrites, dores musculares, etc. Então sempre que eu interferir na realidade vai ocorrer estresse? Não. Só acontecerá estresse se você ainda não tiver capacidade de lidar com as mudanças ocasionadas. Assim, para mudar a realidade, necessário nos é mudar algo em nós mesmos. Cuidado com decisões associadas a emoções fortes, isto pode te levar a ter dores de cabeça (metafórica e literalmente falando) no futuro. Faça a vida andar de mãos dadas com o equilíbrio da Natureza, pois Ela é bela e ensina-nos todos os dias como devemos ser.

Abraço, a todos e a todas!

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Um "M"...



Respiro fundo...
Um nó na garganta deseja me tirar o fôlego...
Só gostaria de ter a luz dos olhos de um pescador...
A paz de um viajante...
Segurar a luz com as mãos...
Ensanguentadas, mas persistentes...

Um corte transversal em meu coração...
Rasgou-me de cima a baixo...
Desnudou-me em meu saber...
No mais profundo momento pessoal...
Onde a força da persuasão de pouco serve...
Onde a dor lancinante não pode nos deixar...

Como um oceano abstrato do Ser que ainda sou...
Tento segurar o Sol, para que a noite não venha ainda...
Que seu pôr, seja atrasado...
Que sua força abra este caminho de neblina...

Mergulho em mim...
Um oceano num oceano...
De palavras e falas...
Mas uma letra apenas provocou esta tempestade em mim...
A letra "M"...
De força mágica...
Mística...
Fica em meio ao amor...
Enfeita minha vida...
Colore meu momento...
Eterniza um sentimento na memória minha...

Mergulhai, ó musa!
Este oceano te espera!
Se mergulhardes aqui, aprenderás a viver aqui...
Saberás nadar em ti própria!
Entenderás a fórmula simples de ser mais...
Levar-me-ás a passear em lindas florestas...
De luz banhadas...
Espero a ti...

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Existência


É.
Ser.
Estar-no-mundo.
Existir...
Extensão do "é"...

Conflitos.
Brigas.
Pequenas guerras...
A existência é maior.
Existir pressupõe tempo que chega...
E tempo que virá.
Tempo de agora...
E tempo de antes.

E os conflitos?
Pequenas falhas e curvas tortuosas de aprendizagem.
Existir é aprender, certamente.
E depois de aprendido?
A existência fica maior!
Os conflitos diminuem.
E aprendemos mais.

Aprendemos que discussões acaloradas,
Muitas vezes são desnecessárias.
Outras, devem ser encenadas para conter ímpetos infantis...

Aprendemos que amigos devem ser conservados
Imiscuídos em carinho, amor e dedicação.

Aprendemos que amar pode significar,
Na maioria das vezes, auto-superação...

Aprendemos que as guerras só beneficiam
A quem está no poder...
E que nosso poder não está no voto obrigatório,
Mas na cobrança diária que não é incentivada.

Aprendemos que se odiamos alguém é por que
Temos a tendência de amá-la profundamente.

Aprendemos que sentir fome,
Pouco tem a ver com vontade comer...

Aprendemos que ser o que somos,
às vezes é muito difícil...
Mas é muito mais prazeroso...

E, no final, entendemos que existir
Depende das decisões que tomamos,
Do ato de assumir as próprias responsabilidades...
E que uma frase bonita na lápide
Não diz nada do que realmente vivemos.
O que realmente vivemos
Foram saudades intensas, emoções fortes,
Pessoas que amamos, objetivos que nos dedicamos...
O que realmente fomos foi a nossa existência
Dedicada a ser feliz.


segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Vilozovia de Butiguim...


"Traz mais uma, garçon!"
Vidro tilintando...
Copo contra copo!
Musiquinha animadora!
Como é mesmo?
"Arrocha, arrocha, arrocha..."

Amigos conversam e riem...
Mulheres passam e eles assoviam...
Elas nem olham...
Eles as chamam de ordinárias!
Elas continuam indiferentes...

Descontentes, conversam entre si...
"Essas mulheres de hoje em dia não prestam!"
Um curioso que acaba de chegar pergunta:
"Por que?"
"Por que mulher é interesseira!" - Responde.
E outro, já tonto de tanto álcool, completa:
"Mulher só quer saber de dinheiro, festa e carro."

Num segundo se esquecem do que conversaram...
Um se levanta para ir ao banheiro...
Todo o resto lixível volta a "tomar todas"!
Adentram o mundo do álcool...
É bem mais fácil assim...
Se esquecem de si.

sábado, fevereiro 21, 2009

Carnamáscara...


Carna o quê?!
Carnaval!
Cai na vala...
Carnavelha...
Carma... mal...
Cá, na vida...
Naval...
No vão...
Cá, no vão!
No ôco!

Cai onde?
No chão!
Carne em vão!
Álcool e pão!
Circo e manifestação!
Arco de dor, dedicação.
Carnaval...
Aval da carne...
Ácido que arde.
Corrói, em vão, a carne.
Cai e levanta do chão...
Arranha e esmaga...
O duro chão...
Que chora a marca deixada...
A dor da carne que pula.
A carnalização...
Ação da carne que pede...
O trocado do pão...
A cachaça...
A ressaca...
A resignação...
O esquecer das mazelas,
Deixadas penduradas ao guarda-roupa...
O triste fim da carne.

terça-feira, fevereiro 17, 2009



Quero palavras esféricas...
... de granulometria igual ao pó.
Para traduzir o pó que me pariu...
Para eu saber que pó que eu sou.
Para eu saber que vento me levaria.
Como eu, pó, se espalharia...
Quando, do pó, a flor se formaria...
O bicho...
O inseto...
A vida.
O pó.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Quero Drummondear...



Disse-me um sábio, certa vez:
- "Ler poesia não cura dor de dente ou enxaqueca.
Mas aumenta teu mundo."

Poetizei...
Arriscar-me-ei a Drummondear, agora...
Saltarei a pedra ou a rodearei, quando encontrá-la...
Nada perguntarei a José-sem-nome...
Já não há o que perguntar.

Mas como Drummond, deixarei o amor se ensanguentar...
Que pule o muro.
Que suba à árvore.
Que escorregue e se estrepe!
Mais uma vez, alguém vê o sangue andrógino a escorrer.

Meus ombros já quase suportam o mundo...
O qual quase pesa tanto quanto a pequena mão de uma criança.
Tenho procurado, sim.
E sinto que estou perto.
Perto, não da "explicação (duvidosa) da vida",
Mas da "poesia (inexplicável) da vida".

domingo, fevereiro 15, 2009

Só...



Estou só...
Sentado no sofá,
E olhando a TV desligada.

Ao fundo, toca Don't Watch me Dancing,
De Little Joy...
Mastigo, descuidadamente, biscoito recheado...
Sabor morango...
Nunca gostei desse sabor.

Migalhas caem, por vezes, ao chão...
Outras, ao sofá...
Um copo duplo de café à mão direita
Recheia, ainda mais, este fim de tarde.

O álbum da banda está chegando ao fim...
A música?
"Evaporar".
Sim, fim justo.
Sumir.
Volatilizar...

Como o álcool misturado à alma.
Ou a alma misturada ao álcool.
Tanto faz a ordem!
Tanto faz...
Calar é melhor...
Silenciar a dor da solidão...
Como morrer estando vivo.
Como viver, estando morto.