sexta-feira, janeiro 09, 2009

A Cadeira


A moça saiu correndo na chuva...
Uma cadeira segurada com muito afinco lhe protegia a cabeça...
Estava, aquela cadeira, sobre a fronte da dama...
A chuva insistia em bater-se contra o, antes, sentadouro...
Era bela, de madeira e brilhante aos pingos d'água...

Da janela, ri-me e perguntei:
"É guarda-chuva ou cadeira?"
A bela jovem de cabelo amarelo e encharcado sorriu...
- "Agora é guarda-chuva, mas antes,
Guarda-sol, guarda balde, estante,
Mesa para pirralhos, escada para pequenos,
Ancoradouro de cansados, arma para mulher enciumada,
Escudo contra facas e foices,
Chutos e coices,
E até recanto para pensar nos açoites...
Da vida."

Riu-se mais uma vez.
Atravessou a rua...
E desapareceu.

3 comentários:

Leveza de ser. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leveza de ser. disse...

Desapareceu com todas as histórias possíveis de uma coisa ser outra e outras. O homem, a apenas imaginar seus passos, sua vida, quem lhe faz um carinho em teus amarelos cabelos... Ela, a bela jovem de cabelo amarelo, continuou a vida a pensar em si mesma e a reflexão foi tão assustadora que não mais suportou a cadeira, deixou-a na rua: não pretendia guardar aquela chuva. Queria apenas se livrar do peso dela e da cadeira. Sentou-se no primeiro banco que encontrou na praça, e, sorrindo, bocejou um sono e ali mesmo se deitou. Como uma princesa esperando ser salva. A água era agora um cobertor de gotas. E sentiu-se tão serenamente em paz que só conseguia pensar em sonhar.

João Lins disse...

Muito bom, Iramaya Monick!