quarta-feira, dezembro 23, 2009

Feliz Matal, pôu, pôu, pôu, pôu!


Bem, às vezes é um imenso prazer ser um estraga-prazeres... (risos) Vamos aos fatos, como diria um amigo blogueiro... Natal é palavra de mesma origem que nascer, natural, etc. no sentido de origem. Na verdade, essa é a forma como a história da língua (que tem sempre a ver com a história da força política e econômica de um povo, país ou nação...) forçou as significações. Em verdade, o que ocorreu foi algo muito mais interessante (para não dizer macabro). Primeiro, por que comemoramos o natal no dia 25 de dezembro? Ora, porque Jesus nasceu neste dia! Tens certeza? Na verdade, o dia foi escolhido aleatoriamente... (outra mentira!) O dia foi escolhido para matar a cultura celta (que insistem ainda em chamar de pagã...) que neste dia comemora a morte do Deus (representado pelo Sol) que renasce na primavera, próxima estação depois do inverno. Outra coisa: por que usamos bolinhas na árvore de natal? (Essa é a que eu mais gosto) As bolinhas são a representação do momento em que supostamente o menino Jesus estava sendo perseguido por Herodes, quando este mandou matar todas as crianças abaixo de 2 anos... lembra? Pois é, as bolinhas são as cabeças das crianças dependuradas nos galhos dos pinhos. Calma que ainda tem mais. Essa eu também gosto: diz aí, por que a roupa do papai noel é vermelha? É a mesma lógica. Gente de poder que mata a cultura alheia. A empresa coca-cola pegou um duende da cultura celta (que era verde) e o vestiu de vermelho, por razões óbvias, não é?

Agora, que estamos todos sabendo o que estamos comemorando, vamos lotar as lojas e comprar muito, já que só podemos ser humanos se comprarmos. Vamos presentear os nossos familiares que tanto amamos... Ops, outra mentira! Na verdade, estamos presenteando os banqueiros que adoram dinheiro e que são a raíz do sistema monetário nosso.

Feliz Matal!!
Desculpe, errei...
Feliz Mortal!
Nossa, outra vez...
Feliz Nopau!
Eita, que falha...
Feliz Na... Na...
Tal de... (fica a cargo de
quem quiser)

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Da Cobiça e Do Amor


Insiste.
Aqueles passos trôpegos...
Persiste em aprimorar...
O inapropriado método de amar...

Sustenta-se buscando ar...
São ares de poder o que não pode.
É a busca incessante.
Não pára.
Não seria, se fosse para...

Mas é sempre para si...
Cobiça-se sempre para si...
E para-si é sempre eu-puro...
Amar é cobiçar...
Cobiçar um eu-puro.

Cambaleia, mais uma vez...
Como em duzentas doses...
Mais algumas mortíferas de veneno azul...
Tropeça.
Olha, absorto...
Persiste.

Vai, ó caminhante!
Corre para lugar algum...
Queres amar somente a ti!
Mas insistes em teimar!
"Quero um amor p'ra mim..."
Acorda!
Teu amor é você!
Age, pois, assim!

Sai da vida-morte...
Atrai a boa sorte!
Traia a qualquer um...
Menos a si!
Mendinga de si próprio amor...
É amor-próprio mesmo...
Narciso volta à casa!

Amor perfeito...
Identidade não submissa.
Auto-suficiência!
Vais, segue ao longe...
Busca intermitentemente um fim...
Qual um pulso...
Que descambará sempre em ti!

[...cobiça e ama...]

A Hora


São 02:12h...
Abro os olhos no vazio da escuridão...
Desço degraus eternos...
Abarco sentidos diversos...
Sinto um vento frio a perpassar a alma...

Em vazio caminho...
Cão meu, late...
Espalha e parte...
Assusta o coração aqui...
Observo degraus passarem...

A nota que canta é ôca...
Anota, encanta, canto...
São sons tinindo em mim...
Os sinos traindo, enfim...
Sonos e somos num eu...

Cai o leite...
Gato que lambe e mia...
A geladeira é fria...
A madrugada persiste...
Água gelada...
Espia...

São 02:12h...
É sonho em terno som...
O sono sobrevém...
Sem sombra assombro o que vem...
Em sinos sons e saltos...
Caio do alto...
Acordo.

O percepto encantador...
É que percebo-me num flutuar...
Acordo?
Posso até estar de acordo...
Mas em quem confiar?
Personagens sobrevém...
No escuro profundo vazio...
Vôo.

Olho ao fundo, no nada...
Observo os olhos em frente à escada...
Degraus abaixo são degraus acima...
Subo, enquanto desço...
Flutuo sem parar...
Duvido sem tentar ao menos acreditar...
Creio em tudo, pois é nada...

E sono sonho...
Então, corro e espalho...
Saio do lugar...
Corro sem mesmo movimentar...
Agarro-me ao ar...
Salto no mar...
Vôo.

São 02:12h.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Que Esperar de Mortos?


Mortos.
Caminham, seguem.
Suporto toda a gente dissonante.
Não de mim, mas da vida.
Velas e portos.
Caixão e rezas.
Oram.
Imploram.
Pedem ajuda.
Gritam o ôco, o tosco.
Avançam ao nada.
Sucumbem.
São o resto, doença e desgraça.
A escória humana.
Os porcos escravizados.
Pisam em pérolas.
Adentram às portas de ouro.
Para colher as velhas migalhas.
Sentem que algo há.
Olham desconfiados.
Mas enfiam-se em suas caldeiras de morte e de nada.
Fervem no calor avassalador da morte.
Da insanidade que prepondera contra a vida.
Levantam suas cabeças tortas.
Não ponderam.
Não pensam.
De nada mais são capazes.
Apenas de suprir a necessidade de comer, urinar e defecar.
Não sonham.
Não sabem de nada além.
Estão imersos no mundo sombrio.
De um sono vazio.
O corpo febril.
De enfermidades emocionais.
Não se percebem no mundo.
Na vida.
Na trilha da morte.
Nela, já são.
São mortos andantes.
Uns, mais mortos que outros.
Se aparentam vida abundante por meio de gravatas,
Desconfio veementemente.
São sorrisos engessados.
Expressões risonhas de medo congelado.
Rí-se para não fugir ao padrão.
Anseiam morrer.
Mas para quem acha que estes mortos não sentem dor...
Há desespero abundante.
Há sofrimento psíquico.
Juramento de dor infinito.
Ânsia de fim, Thanatos.
O deus da morte os acompanha.
Abre-se, enfim, o chão do inferno.
Saem os vampiros de vida.
Suporto-os.
Mas são inimigos adotados com todo o ardor
Do desejo de viver.
Morte aos mortos!

domingo, dezembro 06, 2009

!


Acorda!
Aborda a vida de frente!
Encara o tropeço, vence!
A vida é muito curta para ficar nesta masturbação mental.

Sai de casa!
Acasala com a vida!
Sustenta a ira e segue!
A vida é muito curta para ficar nesta onda de marionete.

Dê bronca!
Arranque o grito para fora!
Só guarde para si o que é bom!
A vida pode mais, nós é que nos limitamos.

Se esbarre!
Aconteça o que acontecer, sempre há falhas...
Quebre a cara, mas o faça tentando acertar...
A vida é sonho concretizado.

Arranje uma briga!
Quase nunca brigamos!
Quase sempre a evitamos!
A vida é atividade e brigar expulsa a agressividade.

Finja um atentado!
Saia pelas ruas planejando terrorismo!
É bom se imaginar matando o patrão numa emboscada!
A vida é mais simples do que parece ser.

"E um dia dance
Do jeito que você quiser...
Sem dúvida, as pessoas que dançam
Com sinceridade
São pessoas muito mais felizes."

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Outro Lugar


Vem, vamos p'ra lá...
Aqui não mais está ...
Vem, vem p'ra cá...
Saiamos, soltemos os laços...
Voemos...
Lancemo-nos ao mar...

Esta é minha condição.
Decretado está.
Voar.
Jogar-se...
Tentar...
Aprender as asas bater...

Vem, vem p'ra cá...
Arrisca um pouco mais...
Lança-te ao mar...
Adentre ao oceano que em mim espera...
Aguarda ansioso te devorar...

Esta é minha compreensão...
Do que devo de ti esperar...
Incentivar o salto ao poço...
O que de escuro e sombrio te espera...
Vem, descobre o mar de tesouros escondidos...

Vamos para outro lugar...
Aqui já não dá...
Aqui já não tem...
No futuro é que está...
Andar de mãos dadas pelas ruas...
Perder-se para se encontrar...

E quando lá chegar...
O sol regará nossas almas...
Estendidas...
Banhará nossos ares...
Até chegar outro futuro.


________
Escrito inspirado na música Outro Futuro, da banda Reverse. Quer escutar a música? Clica AQUI.

sexta-feira, novembro 06, 2009

Sempre Assim...

Foto feita por mim no quintal de casa...


Todos os dias a vida vem e vai...
O céu azul passa...
O sol nasce e morre...
A chuva cai ou finge querer cair...
Molhar e ceder...
Colher...
Plantar...

Todos as noites sonho assim...
Que o dia vem para mim...
Que um dia teu cheiro-jasmin...
Visitar-me-ia em plenitude de cor...

A flor que colhi era você...
O sol que há em mim diz: "Pode ser"
Grito o mais alto...
O som dissolve-se no vento...
Que arrasta...

As folhas espalham-se...
O grito deságua, assim.
Escorre, feito chocolate em mãos de criança...
Derrete o desejo insondável...
Tudo é "não", aqui...
Tudo é sobra...
Sombra de passados...
Pêssegos salgados...

É não sentir...
Não ter...
Não ser...
Não imaginar...
Não ver...
Não ouvir...

Sobra tudo...
Pois sempre que se nega...
Se afirma o oposto...
Mesmo que a contragosto...
Mesmo que à vista cega...

"Vai", diz o sol...
"Segue", diz a vida...
"Adia e evita o mal"
"Respira!"

Sei que disto me lembrei...
Tanto que aqui escrevi...
Descrevo, sem ao menos pensar...
Só o senso de dever em expressar...
O que dela tomei...

Vai a flor...
Vem reminiscências...
Imagens ensanguentadas...
De rostos, corpos e toques...
De suor e ranhuras sobre a pele...
De te ter...

Vem a lembrança...
Do que poderia um dia ser...
De que perderia, sem ter ou ver...
De que voltaria a onde nunca tivera antes.
Implodiria, num lapso de tempo...

Qual supernova que apareceu aqui...
Tal Universo que inverto e invento...
Que atinjo e sustento...
Com palavras e intentos...
Desejos e indesejos...
Está tudo aí...
Eu... você.

sábado, outubro 31, 2009

Ela e Ela...



Vejo vultos...
Eternos e soltos...
Vem e volta...
Solta e amarra...

Vejo longe...
Longas e curtas...
Sonhos e satisfação...
Cordas e coração...

Amarro cedo...
Nem nego o que faço...
Falho sempre...
Falo e ela sente...

Dança solta...
Baila e insandece...
Corre e espalha...
Espelha beleza...

Vai ao rio, qual Narciso...
Nos olhos do rio se vê...
Arruma os cabelos longos...
Nem a vejo mais...

Assim, não a quero...
Desisto do rosto lindo...
Quero pessoas interessantes...
Movimentos sinceros...

Solta, ela parece voar...
Mas é presa de si...
Acorrentou-se ao espelho da parede...
Um muro tornou-se...

Olhou para mim...
Encarou-me profundamente...
Aproximou como que apaixonada...
Fitou meu olhar...
Ao fundo da retina...
Para enxergar-se a si, somente...

domingo, outubro 18, 2009

Qual é, então, a Diferença?


Você que fecha a porta a pregos e paus...
É você que diz não ter sentido viver...
Você que reclama do nada...
E para o nada quer se mover...

Foi você quem fechou as portas...
A responsabilidade do querer é inteiramente tua...
Os pregos e o martelo são teus...
A felicidade não adentra à força...

Agora, que a lágrima habita o peito...
Que o grito não sai direito...
Agora, que o chão frio te espera...
Sinto um arrepio que me cobre...
Desespera...

Sinto que de ti deve sair atitude...
Mas o que devo esperar,
Se sempre esperas quem te ajude?

A lágrima que de teus olhos caem...
Nada me falam, pouco me atraem...
Ao contrário, afasta-me de ti...
Quero ver-te sorrir, mas por atos próprios...

Ver-te caminhar...
E se calos deves ter, que assim o seja...
Isso é viver.
Alevanta... avante!

Vai-te adiante...
E não deixa que o empecilho...
Seja o próprio fazer...
O fazer da inatitude que quer que o outro sempre ajude...

Sonho que teu sonho seja ser mais...
E sair da morte premeditada de si...
Da morte diária e que sangra a carne cansada...
O estorvo cotidiano.

Sai...
Vem para cá...
Vai para lá...
Move-se.

Atos e ações premeditadas...
Tira-te do automático...
Domina-te.
Move.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Coisa



Aqui estamos...
Sujos, insanos...
Aqui somos...
Estranhos, sonhos...

De lá que venha...
De cá, aqui está...
Estebelecido...
Posto...

Sujos...
Sonhos...
Quase insossos...
Insípidos...
Água...

Sem gosto...
Sem querer...
Vem de cá...
Segue...

Aqui sonhos...
Pesadelos risonhos...
Aqui estranhos...
Moradores da ilusão...

Caminha-se ao nada...
Morre-se todos os dias...
Encanta-se do canto sem voz...
Sem vez...

O daqui que é de lá...
O aqui que lá está...
Maltrapilho...
Sujo e insano...
Coisa.

Pedinte de todos os dias...
De todo santo dia...
Que olha como o abismo do nada...
A coisa que intenta se expressar...
Palavreia roucos sentimentos...
Impotênci(aliza)...

Somos sujos e insanos...
Fede-se todos os dias...
Pede-se e perde-se...
Anulamo-nos...
Que a coisa de lá reflete a de cá...

Olha para o chão...
Para olhar para si...
Nega o pão, nega a vida...
Não a que se rega de massa...
Mas a que se faz inaudita...

Não é da massa que falo...
Mas da massa do povão...
Negam-se o pão da liberdade...
A liberdade do coração...
Não se trata de pão...

Trata-se da mão...
Das mãos também sujas e imundas...
Do caos que aqui se instaura...
Quando a coisa mostra que também o sou...

Coisa que intenta dialogar com coisa...
Indizível, intraduzível, intragável verdade...
A coisa de lá é espelho fugaz...
Pois foge-se da dor...
Foge-se de si...

E nada temos...
Pois sujos e insanos...
Aqui estamos...
Sonhos estranhos...
Pesadelo da verdade de todos os dias...
Todos os dias...

Mas liga-se a TV...
Assiste-se ao jornal...
A novela...
O engodo colossal...

A cegueira do que à frente está...
Da coisa lá de fora...
Da coisa imunda sentada no sofá...
Do perdido...
Do pedido de socorro...
De quem crê-se a si mesmo...
Como se fosse um Jeová¹...


_______
1 - Jeová é termo que na tradição cristã pode ser traduzido como um dos nomes do deus judaico-cristão.

domingo, outubro 11, 2009

Um Lugar...

Foto de minha autoria


Há um lugar...
Que de tão perto, longe está...
São campos verdes, mas de sépia pintei...
P'ra me esconder, p'ra me encontrar...
É um alto e imenso jardim...
Perto dos olhos... tão perto... cega...

Há um lugar...
Lá?
Logo aqui...
Dentro de mim...
Em alma vestido...
Perto dos lábios... tão palavra... rotina...

Há um lugar...
Meu amor sou eu...
MInha dor sou eu...
Meu jardim sou eu...
É sépia? É verde? Depende...
Está nos olhos... os fecho... enxergo...

Há um lugar...
Está aqui e lá...
É caminho a lugar algum...
É a todo lugar...
Criação de cabeça doida...
Inverno inventado... amor inventado...
Solidão de mentirinha... só p'ra dizer que ama...
Insadece e reclama...
A presença impossível...
De um outro que sou eu...


quinta-feira, outubro 08, 2009

O Poço de Mistério


Estava solta...
Nos braços de si...
Caiu em olhares...
Sorriu para mim...

Sorriso mistério?
Olhar curioso...
Quem descobre assim?

Quando corre, sorri e encara...
O poço que se abre à frente é mistério sim!
Puro desejo de elucidar...
O alto grau de aprender...

É a vida que pulsa em criatividade...
É ativa a idade...
São traços e esboços...
Abraços e esforço...
Gasto de energia...
Investimento em saber...

O mistério que me encanta...
Que me aproxima e afasta...
Que traz o mar revolto...
A calmaria pós-tempestade...
O silêncio leve e solto...
A paz e a vontade.

Querer estranho e sagaz...
Inteligente, perspicaz...
Delírios, deleites sutis...
Imaginação ativa diante de si...
Só?
Não sei...

Só vejo um poço de mistério em sorriso tranquilo...
Um rosto singelo em leve olhar...
Um olhar engraçado...
Que às vezes encosta em encantar...
Que ao nada se mostra para o mar aclarar...
Um oceano daqui...
Umas águas sem fim.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Sonho e Solidão

Foto Feita em estrada logo após Gandu, Bahia...


Sonhei que estava só...
Sorrí, que dava até dó...
Surtei, transformei-me em pó...

Estava eu a caminhar...
Por terras quase infindas...
Que de só, só o Sol em mi maior...

Estava lá a me embriagar de mim...
Sonhei e só...
Só, adormeci...

Cantei, quando acordei...
Mas logo descobri...
Só.

Estava eu, lá esticado...
Em rede vermelha a se balançar...
Passarinho toda hora a cantar...

Vento calmo mexe a rede...
Brisa leve eleva e resfria o calor insandescente...
Incandescente luz de lá...

A luz que alumia a alma adormecida...
Que vagueia por si...
Em qualquer lugar...

Se pó, já não sei...
E dó, só de violão a chorar...
Mas só, sempre hei de caminhar...


segunda-feira, setembro 21, 2009

Vale a Pena


Perguntei-me: O que vale a pena para ter minha insistência?
Minha persistência...
Minha arrogância...
Distância e aproximação de mais...
Sei que posso.
Sei quem sou (?)
Acho que sei...
Sinto que sei...



Sim, há algo que vale a pena...
Vale a cena...
A noite perdida...
A lágrima caída.
Há, sim!
Vale...
Profundo...
São...
E doente também...
Tanto faz.
Importa que importa a mim.

Há.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Violentamente Pacífico

Parece que Karl Marx estava correto… A tomada de poder não pode ser por outra via que não do próprio povo… Aí vai um vídeo que achei incrível, chocante, reflexivo e tudo que muita gente precisa ouvir…

quarta-feira, setembro 16, 2009

AMO(R)TE



Amo-te.
Agora.
Amor...
A morte inodora...

Amo-te.
Ameniza a dor daqui...
Amadurece e eterniza...
A morte.

Amo-te.
Gracejos cristalinos de mentiras...
Caem e quebram-se...
Amo-te, ó morte...

A morte.
A ti.
Aqui e agora, amo...
Amor.

A dor.
A sorte insana dos viventes...
A cor insapiente...
O fim, a morte...

Amo-te.
Amo a sorte.
O calar-se pelo avesso...
O aproveitar sem compromisso.
A sorte.

A vida.
Ávida, me chama...
Cheia de si...
Pedindo mais de mim.

Mais no fim...
Mas, no fim...
A chama que queima...
Incendeia amor em mim...

Amo-te, ó vida!
Que de morte faz viver...
Desagrega e desune...
Para, no fim, em pleno gozo eternal...
Pedir-me que abaixe o volume...
Que transceda a cueca molhada no varal...
Que acenda o fogão à lenha...
Que continue a viver e espremer o creme dental...

Ó, morte de minha fé!
Parafraseio Planchêz...
Sorte de poucos...
Raros e loucos...
Que vêem poesia no lápis de cor quebrado...
No sorriso rouco do moleque apaixonado...
Nas lágrimas eternas dos que sofrem calados.

Vai, ó morte!
Desagrega e desata o nó...
Desata os nós...
Mata, desarruma e retifica...
Venha a nós o vosso sopro!
Faz viver, dê consciência do agora que se perde...
Agora...
E agora...
E agora...
E agora...
E agora...
E agora...
E agora...
E agora...
...agora...

quarta-feira, setembro 09, 2009

Sonho que Sou


Assalto-me com a brincadeira...
Rio-me de mim...
Assisto-me com os olhos escorregadios...
Repito-me em gestos e sons...
Calejo o coração vazio...
Rastejo a barriga no chão...
É como crescer para baixo...
É entregar-se à solidão.

Carrego-me com as mãos...
Acaricio-me a cabeça...
Faço cafuné, de coração...
Amo-me...
Odeio-me em te ver...
Arraso meu ser...
Só por que sinto que te quero muito...
Sinto que quero você...

Estapeio a mim mesmo olhando ao espelho...
Sangra o coração...
Repito-me...
E de novo e de novo e de novo...
Arranho-me com unhas grandes...
Odeio-me...
Amo-me ao te ver...
Cresço em você...
Só por que sinto que posso mais sem você...
Sinto que quero viver...

Assombro-me com a sombra que me sobra do passado...
Bebo... a sobra e, ainda sóbrio, escolho a embriaguez...
Caio, arrasto-me, arranho-me, acolho a dor...
E dormente, entendo que a dor mente...
Como a mente que se abre para si...
Expande, explode num som visceral...
Que de nada vale, pois é puro jornal...
Pura publicidade central...
Puro ódio que em mim provoca, esse engodo infernal...
Assombro-me com o que de mim escorre...
Sopros fugidios de um ódio escondido...
De um tédio mentido...
De um sorriso encenado...
De conhecer o caos nos olhos calmos de uma mulher...
A serenidade destilando o veneno do ódio e do medo...
O vento em final de tarde...
O pôr-do-Sol...
O abraço apertado...
O banco de concreto gelado...
O sorriso falso ao meu lado...
Você.

domingo, julho 26, 2009

Modernidade e Mentira


Sinto-me...
Assim, tonto...
Tanto...
Informo-me...
Assintomático...
Assim...
Automático.

Controlado por rede...
Controle remoto...
Desde tempos...
Arrependo-me da primeira vez que liguei uma TV...
De todos os canais...
Informes formadores de mente desconexa...

Signos...
Modernos e insossos...
Sons... ouço...
Insalubres... insanos...
Calabouço.

O show de poucos espectadores...
Que jogam com minha vida...
Divertem-se...
Alegam que psicotizei...
A realidade intangível, que eu inventei...
- "Esquizofrenia!"

Imagens...
Símbolos...
"Compre já!"
"Adquira agora mesmo!"
"Mas isso não é tudo!"
Parcela-se felicidade a baixas taxas!

Mastigo, todos os dias...
O chiclete da discórdia!
Fumo o crack e a maconha da desilusão...
Cheiro o pó branco e anêmico...
Da tela da televisão...
Das letras da internet...
Das imagens e sons do "além"...

Que sou, nesse mundo de significados pré-fabricados?
Que coisa me tornei nessa insanidade de fábricas?
Que estorvo estou agora diante de mim?
Qual a fonte infindável do eterno fim?
Que perguntas respondem, enfim?
Quais calúnias enfrento em mim?
Quão sincero eu sou assim?
Quais mentiras inventei?
Que mentira me tornei?
De que sou feito?
Símbolos ôcos?
Letras e sons?
De quem?
Signos?
Fim?
Sim.

sexta-feira, julho 24, 2009

Segue


Permito-me, só desta vez, abandonar...
Deixo o barco...
A porta aberta...
A janela destrancada...
A luz acesa...
O cachorro sem água...

Deixo...

A geladeira aberta...
A cerveja esquentando...
A tv ligada no Faustão...
A menina que me olha de soslaio...
Os amigos fiéis...
A chuva estragar meu trabalho...

Deixo...

A morte me olhar...
A sorte não me escolher...
A irritação me tomar...
A raiva e surto me fazer voar...
A torneira aberta...

Deixo...

E só agora deixo...
Um tempo todo,
Um minuto...
Uma hora...
Uma década...
Uma vida...
Permito-me, desta vez, sonhar...

quinta-feira, julho 23, 2009

A bela e o fora...



Ela brilhava...
Todos a olhavam...
A rodeavam sem nela encostar...
Enroscavam-se em meio às palavras...
Deduziam dizeres caleidoscópicos...
Dos lábios carnudos que sorriam...
Ó, aqueles lábios que nada queriam...
Era somente uma face tentando ser desejada por muitos...
E deu certo.

Agora, os que olhavam, se achegavam...
Diziam coisas ininteligíveis...
Cortavam uns aos outros atropelando-se...
Passavam vagueando entre um gole e outro...
Era a desejada da festa...
Todos a queriam...
Nem que fosse para olhar.
Ela se chama Maria.
"Mary", como insistia em se chamar...
Apresentou-se.

Cada cavalheiro tentava a face lhe beijar...
Mas como uma sagaz sedutora, com um fora
Fazia-os se afastar...
É como a nobre equivalente...
Dos Don Juans e Casanovas...
Sua beleza se traduzia em gestos majestosos...
Ou, quiçá, má-gestosos...

Só sei que naquela noite frondosa de céu estrelado
E recheado de cheiro de rosa,
Muitos foras a bela mandou...
Muitos "nãos" ela arriscou...
Ao final de tudo, fiquei-me a me perguntar...
Quem deseja ter o inalcançável olhar?
O que antes era desejo, tornou-se o impossível...
E a bela feriu-se de foras e de fora para dentro...
E fora embora a olhar para o chão...
Procurando os restos caídos...
De sua total solidão.

__________
1 - Imagem de minha autoria. Chamo-a de Rosas Cubistas.

quarta-feira, julho 22, 2009

Engana-se


Salvo engano, o engano morreu...
Gritam: "Salvem o engano!"
Por quê? O engano correu?!

Ora, quem corre, vivo está...
Então, salvo engano enganado foi...
E junto com ele, fui eu...
Demente insano que crê...

Corre solto, o engano, agora...
Corre e pulula festejando...
O caos instaurado, a calúnia de ser quem está certo...
O erro de acertar para muitos...
De ser correto e não duvidar...

De sair e festejar...
A alienação do engano e da traição...
De si para si...
De auto-engano...
A cegueira que se escolhe vivenciar...

A torpe nojeira do vômito que engasga...
Sufoca a mente...
Toda imagem horrenda é pouco para descrever a alienação...
Vomitar é festa em dia de comemoração.

Os porcos se regozijam,
Se entreolham com sorrisos de canto de boca...
Rolam pela lama, esfacelam o resto de dignidade...
E, como numa rinha, arrancam com os dentes a carne do outro...

"O inferno é o outro", certamente...
Mas é o outro como espelho do inferno interno...
Da lama, alma má...
Que escorre, em vez de sangue e dignificação...

É o engano, a tragédia do acidente...
Que não mais soa como tal...
Soa como planejado em ares de acaso...
A morte planejada...
A fome planejada...
A sede planejada...
A debilidade planejada...
Pelos senhores do engano...
Os senhores da alienação!

O cérebro derrete...
Inflama a emoção...
Festejam as sete mortes...
Que vêm dos sete cantos...
Encantos sete mil...
Das memórias contadas...
Pelo infame mestre vil.

Arranco do peito o coração...
Bate ainda e eu o olho fixamente...
Sem nada no pensamento, sinto o sangue quente a escorrer...
É a parte mais nobre de mim...
É o que me fazia viver...
Morre a ideologia de mim...
Sacode espalhada pelo chão...
Ensanguentada desejando viver...

...morre a ideologia frente à alienção...

terça-feira, julho 14, 2009

Objetivo: Apaixonar-se


Tenho um objetivo comigo...
Viver em estado de paixão...
O tempo todo caminhando...
O tempo todo com pés no chão...

Coração na estrada da vida...
Peito que caleja, mas não massifica...
Deseja sempre o beijo ardente...
Deseja, sente...

Se ressente de um mundo insano...
Mas e daí, quem passa por fora desse plano?
Arrisco dizer que todos se incediaram...
Todos incendiarão!

Queimando como o caos...
O metal... o canal...
Fundem-se em pleno gozo paranóico...
Incidente paradoxal...

A paixão irá caminhar...
Passará despercebida...
Mas quando voltar trará saudade...
Da doce partida...
Do mover lento e lúgubre...
Do sentir simples e sincero.

Meu coração se fecha e vive a paixão...
Sorri e chora, mas de vontade de explodir de alegria...
De abranger a vida como um todo...
De toda a paixão se mover e mover o tempo todo...

Mover o universo em peso...
Tenso, insistente e preciso...
Necessário a si...
Paixão sentida pelo todo...
O Cosmos que há em mim.

E viverei...
Em estado eterno de paixão...
Sendo guiado pelo coração...
Que chora ao sangrar...
Mas que derrama e espalha verdades necessárias...
Que vive, graceja e almeja o maior dos amores...
Aquele que virá...
O que, de longe, está a me esperar...

segunda-feira, julho 13, 2009

A Inspiração Fugidia...


O tempo corre...
Escorre como lágrimas...
Por onde andará a inspiração?
Aquela louca, insana, insossa fossa...
A que faço questão de entrar e retirar, de lá...
Palavras.

Palavras...
Somente do que essa inspiração se utiliza...
Mas ela foge com o tempo...
Se alarga e se dilui...
Se perde... e me perco...
Por que me achei em outras palavras...

Encontrei-me, mas me sinto a perder o poema...
Achei palavras belas...
Mas limpas...
Quem gosta de limpeza?
Somos porcos!
Amamos nos rodear de sujeira!
Sentimo-nos bem ao mergulhar na porqueira!
A lavagem do cotidiano é o que sustenta em pé...
Esse corpo amargo, disforme e dissonante.

É tão chato se achar!
É tão ilusório ter certezas sobre si...
Chega a ser uma sacanagem contra si...
Reivindico minha inspiração de volta!
A quero!
A desejo!
Quero mais!
Quero o sexo selvagem!
Os arranhões e gritos fortes!
Os "ais" e suspiros!
Quero o ato sagaz, reprodutivo...
Com minha inspiração fugidia...
Amo-a.

domingo, maio 31, 2009

Informação Importante... Duvidosa, mas Importante...

Conferi um arquivo que está circulando "devagar" pela net e que me chamou atenção. Possui o nome de Fórmula da Coca-Cola e ultrapassa esse raciocínio simplório... Vale a pena ler, pelo menos para questionar verdades construídas historicamente... Para fazer o download, clica AQUI.


Boa leitura!

quarta-feira, maio 27, 2009

É...


Vive-se num mundo materialista. [ponto]
Vive-se num mundo individualista. [ponto]
O ser humano é egoísta. [ponto]
Condicionaram-nos a crer que todos são individualistas...
Ou seja, sempre desejamos algo material em troca de atos...
Mas...
O mundo "lá fora" não é necessariamente o mundo "de cá"...
Aprendi que não adianta você ter intenção, faça.
Entendi que, mesmo que tenhas intenção e ato,
Ainda podes ser mal interpretado ou mal interpretada...
Por que?
Ora, "vive-se num mundo materialista"
E "num mundo individualista".
Se cremos que isto é a mais pura verdade humana,
Então sempre seremos os calhordas,
Idiotas sem coração,
Insanos descabidos,
Rebeldes sem causa...

Nenhuma atitude é original...
Ninguém é mais somente um puro e simples egoísta.
É apenas mais um que deseja pertences materiais...
"Somos" materialistas, certo?
"Somos" individualistas, certo?
Errado.
Nada somos e tudo somos.
Somos o que escolhemos ser.
Escolho demonstrar carinho e atenção...
Mas, apesar de enxergarem segundas (e terceiras) intenções,
Continuo sentindo o que sei que sou...
E sou mais que isso!

Porém, se insistem em crer que sou mais um...
Patife disfarçado...
Idiota descarado...
Perigo em potencial...
Tiro contra a moral...
Assalto à mão armada,
Que fazer?
Recolho-me.

Nada mais pode ser feito.
Pois a partir daqui só resta o medo...
A insegurança diante de uma existência vazia...
Uma existência deslocada do sentido.
Pois foi empurrada a descrer de si própria como existir...
Não compreende que existir é ser-o-que-quiser-no-mundo...
E mais, não sabe que isto é possível...
Recolho-me na ternura que resiste em mim...

sábado, maio 23, 2009

Desavisado...


Sonho todo dia...
Um sonho que, de dia...
Acorda, noite e dia...
É agonia de passagem...
É dado de garagem...
De entulho, uma viagem...

Acordo todo dia...
Achando a noite uma passagem...
O diamante, a amante em dias...
Acordo e o Sol acorda...
Ancora em mim sua rebeldia...

A flor é chuva de cor...
É pétala e suor...
Grisalha...
Vermelha e sem amor...
Desamor e espinho...

Eu caminhava todo dia...
Sentia a brisa me tocar...
Mas me entendi num sonho insosso...
Desviei o meu olhar...
Sangrei como quem sangra em dia de luar...
Arrepiava-me, só de pensar...
Que olhos negros me tomaram?
Atiraram do alto de um arranha-céu...
A cor mais amarga e insalubre.

Agora, caminho toda noite...
Num vasto império medieval...
Entre árvores, folhas, vendaval...
Num mundo de passagem...
Onde o eterno animal...
Fala alto...
Grita algo...
Inaceitável aos débeis ignotos...
Inacessível, ao insano vivo-morto.

Caminho, sim, toda noite...
Desejas passear no insondável?
Saia em si...
Passeie na noite calamitosa...
Das amarras que libertam da vida cotidiana...
Do ventre amargo e mentiroso...
De uma falsa mãe, de regras fugidias...
De tentativas frustradas...
De falta de domínio disfarçada...
Na melancolia de se mergulhar,
Em águas turvas e encontrar...
Aquilo que escondes de mais profundo...
Onde nem mesmo você é capaz de encarar...
De onde, só sai quem de um pesadelo acordar...

sexta-feira, maio 22, 2009

Recompondo...



Faz um tempo...
Senti-me tolhido...
Amarrado e sufocado em meu dizer...
"Nada a declarar"?
É, pode ser...
Faço-me entender pela palavra...
Insossa, inodora...
Insípida, mas mordaz...
Arranco do peito a vontade amarga...
Arranco com as duas mãos...
Acrescento a vida...
Outrora perdida,
Outrora sangrada...
Acrescento a mim...
Em mim e na poesia...
Na arte do dizer...
Do expressar...
Pelo simples ato de expressar.


_________
1 - Foto de minha autoria. Agora, aprendendo a expressar com imagens também...

terça-feira, maio 12, 2009

A Descrição


Chamado de "coração",
o órgão almejado pelos amantes...
Que, às vezes, nada tem a ver com cor e ação...
Pode estar em constante perigo...
De se aventurar em um possível abrigo.

O coração passa por diversos contratempos
Nos dias atuais...
Ama, desama, apaixona e desanda...
Se perde pelos caminhos estranhos,
De florestas fechadas...
Mesmo que elas estejam desmatadas.

Aquele pulsar contínuo
Tem encontrado limites...
Pode, ele, desistir de tudo...
Ó, sim!
Isso também me dói...
Não saberia, eu, viver sem meu coração...

Ele se enche de si...
Depois se esvazia...
Não entendo o coração...
Tão forte...
Mas não me deixa amar...
Te deixa amar?
Só o sinto mais perto quando sou uma criança...
Diante da vida.
Que se assombra diante do cotidiano...
Que faz, do lugar-comum, um motivo para um tratado...

Também, hoje em dia, a televisão quer sufocar o coração...
Ela fala: "cala a boca e senta aí!"
E o coração, tão frágil em sua singeleza, aceita...
Ele, singelo; e eu, embarreirado em meu sentir...
Ó, coração, saí do jugo da televisão!
Ela só quer te conquistar sem te tocar!
Vamos, você e eu, sair a experienciar...
Desejo que me acompanhes, agora...
Pois ela, a amiga criança...
Também sente que deve experienciar.

Vamos lá...
Aprender a sentir o coração alheio...
Sem o deixar alheio...
Trazendo-o para perto...
Para cá...
E você, indo para lá...
Andando e correndo...
Batendo e pulsando...
Devagar...
E acelerado...
Deixa estar...
Acontecer o que tem de ser.

Trinômio Incongruente



Quero dormir...
Sonhar...
E acordar num país distante...
Quero sair daqui...
Fugir...
Amar...
Numa ilha, em qualquer lugar...
Quero sentir...
Acenar...

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A vida me mostrou...
Um monstro...
A solidão...
E ele busca...
Como quem tateia...
Um cego em plena visão.
Em plenitude de razão...
E indiferença.

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Sei que isso nada é...
Mas sinto o gosto da ilusão...
Sei que entrar aqui é desrazão...
Mas quem disse que o mundo é racional?
O que sinto é o que vale...
Nesse sentir colossal...
É esse amor que nasce em mim...
Um sentir fenomenal.
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segunda-feira, maio 11, 2009

Expressão


Quer saber?
O mundo é isso mesmo!
Essa baba escorrendo..
Esse sangue que desce, liso...
E coagula...
Na goela amarga...
De quem grita...
Desamparado...
Desamparada...

Quer falar?
Fala!
Deixa o barraco cair!
Vira logo a mesa!
Faça o que deseja!
Desista desse movimento insosso de desistir...
Seja, faça existir!
Arranca do peito a dor...
Plante uma flor no quintal de tua mente.

Pinte!
Faça um quadro!
Dê cores à vida!
Jogue tinta no papel...
Cola, lápis de cor, barbante e pincel.
Desenhe o que quiser...
Ou melhor, desenhe teu desejo...

Mesmo que outros não entendam,
Faça tua parte...
Dê ao mundo tua arte!
Mesmo que idiotas não compreendam...
Que altere o verdadeiro significado.
Saiba, a verdade sempre estará ao teu lado.

O que fazes é a tua verdade.
Avance!
Questione as afirmações impostas...
Corra!
O sonho está logo perto do muro...
Pule e alcance!
Dance!
Não se avexe, a vida está aqui.
Pulsa e se refaz...

Quer se expressar?
Cante!
Grite com força!
Mostre a si a arte na garganta.
Se o outro te olha...
Não te espantes...
Deixe que ele se espante sozinho...
Afinal, o teu expressar é de ti...
E para ti, há de voltar!

sábado, maio 09, 2009

Espírito Livre


Um espírito livre...
Que bate asas até o infinito...
Que acalma as águas...
Sopra o granito...
Dá cores às rochas, lavas incandecentes que cristalizaram...

O vulcão se aproxima do explodir.
Um cheiro forte de enxofre cobre a mata.
A cidade se ressente...
Dizem ser a ira dos deuses...
Um vulcão que fala.

Nada compreendi...
O espírito livre voava...
Olhava do alto da plataforma invisível...
Olhava abaixo de si.

Os moradores em polvorosa,
Cantavam hinos ao nada...
Hinos, indo... vindo...
Corriam uns, transavam outros...
Rezavam ainda outros.

Dei pouca atenção...
O espírito observava somente uma procissão...
De lindas mulheres vestidas de pano de chão...
Rasgavam-se vestes, arrastavam-se loucamente...
Doía, meu coração...

Já não entendia o que estava eu a fazer ali...
Um livre espírito me tomou...
Sou eu, quem sou?
Voava sem parar...
Escutava sem escutar...

A vida mostrou percalços a superar...
Arrancou-me um verso sem poetizar...
Amei, sem amar...
Sofri mas acordei...
Adormeci no ficar.

Nada de palavras...
Lógica alguma utilizei...
Alma imersa num corpo...
Materializar.
Executar o impossível... voar.

Ganhar o já perdido...
Abandonar a si e deixar-se cair...
No abismo...
E voar.
Deixar o vento arrastar...

Dar liberdade ao espírito incandescente...
Ao vulcão da língua ardente...
Da boca que fala o que sente...
Do viver que exala afeição...
Ainda que o medo o arraste pelo chão...

E voa, sem medo de olhar...
A real realidade...
O brilho, a esperança...
O luar...
Luz que em meio à noite esclarece
As verdades dolorosas de uma vida.

sexta-feira, maio 08, 2009

Eu, sombrio... a tarde


Uma doce e sombria tarde...
Um sentimento de si...
Um apelo desesperado...
O grito, logo ao lado...

As folhas secas se espalham...
O Sol, distante, toca-me levemente...
É fim de tarde...
É dor, é sentimento...
É falha.

A Lua já desponta...
Um leve frio me aquece a alma...
Tudo que preciso...
Tudo que me acalma...

A cama, a lama...
Um sujeito.
O que sou, não tem mais jeito.
Eu falo, repito, não me calo...
Sinto a alma arder dentro do peito.

Uma fala de uma dama...
Um silêncio e um olhar...
Despertou o mais íntimo de mim...
Uma alma turva...
Obscura e doce...
Às vezes, torpe...

Uma alma enegrecida...
Uma existência que afirma a vida...
A vida com a ciência da morte...
No peito, o coração bate mais forte...
Enrijece, faz-me mais...

Um manto me cobre a cabeça...
Um frio me envolve o corpo...
Uma voz, chega-me aos ouvidos...
Minha fala já não serve mais...
Minha face fala por mim.

Fala do que não tem fim...
Do eterno ser que nos tornamos...
Do entorno...
Do quadro ingrato que retratamos...
Do sórdido, do caos...
Do cais...

Do mar que quebra em ondas...
Que tenta traduzir a alma do mundo...
Que abriga e destrói.
Que mostra como minha alma se constrói..
Sinto, agora, que estou mais perto de mim.

quinta-feira, maio 07, 2009

Criança que Sou


Quero brincar...
É tão bom sentir-me criança...
Mas isso senti por que hoje voltei alguns anos...
Voltei em alguns planos...

Tirei um peso enorme do peito...
Uma mágoa que rasgava-me...
Deixava-me sem jeito...
Matava-me...

Encontrou um peito aberto...
Amassou um coração...
Feriu e fugiu...

Mas que bom!
Para ser criança é preciso ter coragem!
E eu a tenho!
É preciso amar a simplicidade...
De ser transparente... inspiração.

Simples, como dantes...
Criança que corre e se atrapalha...
Mas acerta no tentar...
Tentar aprender...
Elucidar.

Sou criança toda vez que aprendo...
Toda vez que tento...
Sem perceber se estou sendo ridículo...
Se devo ou não pedir perdão...
É o que estou tendo.

Sou criança agora...
De caneta na mão...
De pôr boca ao coração...
Voz e regozijo...
De dizer que sim, que não...

De dizer, simplesmente...
Com a paz, como parente...
Que a dor de outrora...
É vitória guardada...
É regozijo no futuro.
São lábios sorridentes.

Superei-me, falei com quem me magoou...
Estou feliz comigo...
Superei uma dor...
Achei-me em meio a um vendaval...
Encontrei uma parte perdida de mim...
A força de uma criança.

Coração a mil...
Não consegui sorrir,
Mas avancei.
Sentei-me ao lado dela...
Senti que ela estranho achou...
Comecei a falar...

Mágoa só existe quando se ama...
Só se é machucado quando se valoriza o outro...
Mas reconheci...
Fui um tolo ao tentar entender...
O que havia de mim em você.

Agora, estou livre...
Saí de um nó...
De um nós...
Agarrei-me a mim...
À criança que sou...
Que fui...
Que serei.

terça-feira, maio 05, 2009

Uma Verdade


Na vida nossa,
Somente há um verdadeiro amor...
O primeiro amor.

segunda-feira, maio 04, 2009

Ondas...


Chuá...
Bate forte...
É onda p'ra lá...
É onda p'ra cá...
Vem e vai...
Cai...
É...
Aí...
Volta...
Embala...
Logo espalha...
É como um jogo...
Vai e volta...
Descresce...
Diminui...
Assim...
Faz...
Sim...
Tenta...
Insiste...
Persiste...
Em recorrer...
Aos ventos...
Arrastam...
Insentos...
Desce...
Sobe...
Vai...
E...
Vem...
Vento...
Força grande...
Onda alta se forma...
Vai lá em cima, bem alto...
Percorre kilômetros de costa...
A praia chega geme de medo...
No alto da onda que quebra...
O povo logo vê os surfistas...
Que descem, disparados...
Segue indo e vindo...
Pisando fundo...
Bem no alto...
Das ondas...
Chegam...
Cá...

domingo, maio 03, 2009

Frio e Amor


Há uma moça...
Aquela de meu coração...
Dona, anjo, arranjo de flores...
Sorri...
Olha de lado e depois para o chão...
Sente que pode, mas prefere esperar...
Inclina-se sobre uma mureta de concreto...
Encosta-se e encara...
Perco o jeito...
Fico sem graça...
Rio por dentro...
Como pode isso comigo?
Timidez não é mais o meu forte...
Superei...
Será?
Ou ela me faz encarnar a infância perdida?
Nossa!
Aquele amor perdido...
Aquele sentir perdido...
Aquele frio compartilhado...
Aquele aquecer de mãos dadas...
De olho no olho...
De verdades sentidas, não ditas...
De coração acelerado...
De pequenas mãos, sustentando pequenas mãos...
Amor de infância...
De olhar que tudo dizia...
De tudo, fugia, ao olhar aquele olhar...
Ah, esse frio que me fazer recordar...
É esse frio que me faz sonhar.
Paixão.

sábado, maio 02, 2009

O dia de ontem... Dia do Trabalho

O dia do trabalho, foi comemorado, por mim e amigos, subindo a Serra do Jequitibá, na cidade de Buerarema, Bahia. Foi uma atividade muito gostosa de contato com a Natureza, brincadeiras, discussões de ações necessárias nas políticas públicas, etc. Mas confesso que, para mim, o que mais chamou a atenção foi a poesia de imagens naturais que consegui captar, tais como como essa beleza de flor.

Engraçado que a poesia se misturou ao amor à Natureza e à necessidade de atividade, em contraste à passividade manifestada pela população, de forma geral. É o que chamamos de força da amizade, força que vem do coração e que se apóia de forma dialética, um no outro. Deixo uma foto que representa laço forte de amizade.


quinta-feira, abril 30, 2009

Aos Fiapos¹, os Retalhos...


Há um céu esparramado...
Há lágrimas e dor, ao lado...
"Hei, fecha a cara!"
Grita, o desgraçado...

Senta.
Sinta os pés descalços sobre o chão gelado...
Sobra a calça jeans e a coca-cola...
Ambos, idiotia em dia de finados...

Pano, linha e vontade...
A agulha é o detalhe...
Costura e sorri...
Tão linda, tão simples...
A cabeça dança, enquanto cantarola...

Retalhos e cenas esparsas...
Espanto e rebeldia...
Anarquia descontrolada...
Sofria, todo dia, aquele infeliz desgarrado...

É dia de festa na casa dele...
Completa mais um ano de vida...
Não entendo por que comemoram a proximidade da morte...
Hei, espera, é a ilusão de negar a própria sorte...

Deslige a TV e ganhe mais alguns neurônios...
Raspe a cabeça, espere o vento e esfrie o juízo...
Compre agora mesmo o novo modelo!
Aproveita e arranca do peito o último suspiro...

Evita barraco...
Evita caos imediato...
Negocia, trata, conversa...
Pondera o caos e a serenidade.



_______
1 - Alusão à publicação Casa de Fiapo de Gabriella.

domingo, abril 26, 2009

Muralha


O futuro, agora, está próximo...
Esbarra num muro de concreto...
Sólido, impenetrável...
Decodifica uma fala insólita...
Desusada, desumana...
Habita e se habitua...
Mora e desanda...
Corre, debate-se e cai...
Não morre, mas desfalece...
Cansado de tentar...
Cansado de falar...
Fazer, agir por si.

O futuro é uma onda...
O vento sopra, a praia branca...
Partículas de sal...
Partículas de ouro...
Água salgada...
Chuva que chega e se vai...
Molha o som do mar quebrando em minha boca...
Mas tudo isso se esbarra na areia.

O futuro, hoje, vai...
Segue adiante...
Numa arma química...
Em espaços nano e gigas...
Em sentimentos inumanos...
Sem coração, sem vida...
Sopra forte a força humana em distanciar-se de si...
O muro da desconfiança.

O futuro já chegou...
Veio até mim...
Falou-me ao ouvido coisas que eu não quis ouvir...
Disse, olhando-me cabisbaixo, que não acredita mais em si...
Desistiu de correr...
Desistiu de agir...
Mandou-me calar a boca quando tentei dissuadir...
O muro é ele mesmo, o muro está posto, é aqui.

sexta-feira, abril 24, 2009

P'ra Você...


Insisto em escrever...
Por que sou teimoso...
Por ter leitores como você...

Poetizo a minha alma...
Corro o risco sempre insano
De sair da calma...
De marcar a cara...
De ser grosso sem sentido...
De deixar a vida falar o caos feito lavra...

Sinto a força que há em mim
Da força que vem de você...
Que lê, que comenta, que só vê...
Que faz deste espaço um lastro dialogal...
Mesmo que venha de um...
Louco ou normal...

Dedico este poema a você...
Caríssimo e caríssima...
Que vem, prestigia e motiva...
Que compartilha o que sinto...
No próprio coração e cativa...

Abre a alma...
O tesouro escondido...
O pote ao fim do arco-íris...
O dourado reluzente...
O ouro perdido de si...

Dou-te, agora, a palavra...
Que pulsa em meu peito...
E dispara contra o teu...
Liberta e dá asas...

Voa, ó caríssima... voe, caríssimo...
Apreenda o mundo com a alma...
Compreenda a vida com entusiasmo...
Enxergue os instrumentos que a Natureza te dá...
Crie as asas da liberdade...
Fora do recanto da ilusão...
Desligue a tv numa tarde...
Numa manhã...
Num verão.

Faça de si a força do mundo...
Pois de ti emana a força de um coração...
Arranca do peito a mágoa...
Perdoa quando necessário for...
Mas não fique à toa...
Pois a vida tem inimigos...
Aprende a aprender com eles...

É você que aqui vem, que me ensina...
Que me mostra o caminho...
Que me transforma num espelho...
Para enxergar dentro de si...
A força, a energia, o conselho...
Fico grato...
É fato, continuo...
Mas reconheço a paz que emana de mim...
Pois é em ti que me inspiro,
É em mim que desatino.

segunda-feira, abril 20, 2009

Oração à Deusa Gaia


Friozinho que chega...
Chão frio...
Pés no chão...
Sinto a força que emana da terra...
E da Terra...
A serra que mostra o pulsar de um coração.

Folhas ressequidas...
Se espalham por sobre a terra,
O solo que aceita...
É só do que deleita e erra...
Como louco desvairado...
Corre desesperado...
Para acolher toda folha que cai por sobre o chão.

É a Natureza e sua porta...
Que se abre, ensina sem razão...
Aos pequenos pontos que a compõe,
Que tecem esse coração...
Coração de terra...
Amor sem fim...
Solo e solidão.

Falo de solidão, pois o solo é poeta...
Encarna, grita, mata e maltrata.
Encena uma dor, finge que gosta e ama...
Mas abraça com a certeza de um amor.
Abraça, pois acolhe e retrata...
Mostra, como o poeta, a falha amarga
De se pensar ser mais do que mata,
Mais do que árvore que dança à luz do luar.

Floresta infinda desse oceano verde,
Mostra a força, mostra a dança...
Inclina-te à Lua, ao Sol, à agua...
Dança e nos mostra o passo ritmado...
O dançar forte, pois o nosso é descompassado...
Mostra, dai um presente,
Ensina-nos com o passado.
Para que o amanhã retorne a ser
O verde-louro aveludado.

Ó, força que emana de Gaia,
Mostrai que em nós, filhos insanos,
A paz nunca falha.
Pois viemos de Ti,
A Ti voltaremos,
E em Ti somos mais.
É minha oração,
Ó deusa belíssima,
abençoa e ensina que mais nós podemos
E que "mas" já não cabe,
Pois sentimos as lágrimas que molham sua face,
E que soçobram nossas bases mais fortes.

Ensinai, a este pequeno,
Como se caminha de olhos fechados...
Pois se deve enxergar com o coração.
Ensinai a todos pequenos
Que junto somos grandes,
Que, de fato, tua luz é uma escuridão.
Pois é na morte que sustentas a vida.
Mas morte que acompanha a paz,
A serenidade, a doce sensação...
De seguir em frente,
Fazendo parte do mato,
Do bicho, da flor, da raíz... é solidão.
É solo...
É coração.

A Grande Guerra Interna...

Neste blog, palavras como as que virão aqui já foram ditas, mas nunca é muito repetir coisas do tipo que se segue... Estava eu a conversar com uma amiga de infância (considero irmã de tanto afeto que tenho por ela), a Tatiana, e ela conseguiu me inspirar, com algo dito, para a seguinte reflexão: Vivemos num mundo de correria, de busca constante e competição. Acho que ninguém discorda disto facilmente. Bem, acredito que o fio que une esses comportamentos seja uma característica humana que filósofos já chamaram de "instinto de poder". Isso significa que corremos motivados por nossa necessidade de dominar, exercer poder sobre o outro e sobre a realidade, de forma geral. Tudo bem, até concordo que há uma certa necessidade desde tipo de comportamento, porém não posso concordar que necessitamos permancer em algo que tem nos matado. Como? Essa competição e necessidade de domínio tem acarretado doenças de nível profundo em nosso corpo, tais como cardiopatias, doenças gástricas, desquilíbrios hormonais, câncer, doenças do sistema respiratório, doenças sociais como a inércia coletiva, etc. Tudo isto poderia ser evitado com uma atitude muito mais desafiadora do que superar um outro: superar a si mesmo. A auto-superação é das tarefas mais difíceis que conheço, pois exige que olhemos nos olhos de nossos maiores medos, exige que encaremos nossa fragilidade existencial, exige que caiamos na dura realidade de que nossa vida logo se findará. E é exatamente o caminho oposto do que a sociedade tem ensinado. Ela diz: jogue a responsabilidade para o outro, pois assim é mais fácil lidar com as próprias fraquezas; não admita tua parcela de culpa, pois isso dói muito; vire o rosto para evitar ver humanos dormindo debaixo de marquises, pois pode se lembrar que ali podia ser você; vá para a agressão a outros humanos e/ou animais, pois assim é mais cômodo e ajuda a esquecer que tua fraqueza é tão grande que precisas esquecê-las.

É isso...


_____
Pintura de Oswaldo Guayasamin, "A Idade da Grande Ira"

domingo, abril 19, 2009

Devoradores...


Que diabos eles querem?
Que tratado que defendem?
As migalhas que no chão se espalham...
Viram fardos que atrapalham...

O pão amassado pelo Diabo...
A insânia que toma conta, dá recado...
Fixa a mente fixamente...
Arranca as entranhas e espalha ao asfalto quente de verão...

As palavras me surgem agora...
De frente à tela da informação...
Que merda de informação é essa,
Que mata, que emburrece o coração?

Letras e palavras...
Frases incompletas...
Chuva que não pára...
Xingamentos discretos...

Causam avaria à mente...
Danificam, os devoradores de cérebro...
Carnificina em dia de luar...
Céu aberto e escuridão...
Luz e pé no chão...
Olhos vermelhos...

Os carros passam pela estrada...
Não vêem o que ocorre em mata fechada...
Somente a lua ilumina o caminho...
As farpas, as cartas que nunca existiram...

O amor nunca dado...
A mãe que lá esteve e que nunca foi...
A dor nunca sarada...
O grito ao asfalto iluminado...

Ninguém sabe o que é a lágrima do palhaço...
Não entendem o que é a dor...
O sofrimento do pé descalço...
O agredir para ser visto e ouvido...
Para ter poder...

A luta é essa...
As gravatas que desfilam...
A favela que alucina...
"Mata o porco desgraçado!"
Quem disse isto? - Pergunto, desarmado...

Os loucos que traficam?
As gravatas psicopatas, apresentáveis e bonitas?
Não.
Os da favela se matam para garantir o lucro daqueles da gravata...

Mais um corpo estendido no chão...
O copo está cheio...
Confusão...
O cara folga a gravata vendo a reportagem na televisão...

Aliviado, toma um vinho escocês...
Ao copo, em letras de ouro, seu nome talhado...
Assenta-se em sofá de couro importado...
Estica-se e dorme, amanhã estará no Senado.

sábado, abril 11, 2009

Estou Nublado


A chuva cai lentamente...
Olho para o céu...
Um lágrima escorre...
A chuva esconde...

À tardinha, o pensamento corre...
Lembro e esqueço de tudo...
O Sol, agora, quer se pôr...
Se escondeu o dia inteiro..
Mas deseja ir-se de vez...

No céu há um risco azulado...
O pouco que resta de luz...
Estou sentado na varanda...
Crianças correm, meu mundo está vazio...

Um vento leve, leva e lava almas...
Minh'alma, ainda chorosa, geme de frio...
O Sol fica mais escondido...
Um traço de escuridão se achega...
Um laço, um perdão, um abraço que se vai...

É a sorte de quem fica...
A saudade de quem vai...
A dor, que logo habita...
Não se habitua, se refaz...

Este é o sofrer poetizado...
Meu dizer, da dor, da angústia ao meu lado...
Este é o poema sofrível...
Alargo o passo em inércia...
Meu lasso.

sexta-feira, abril 10, 2009

Em LUTO por Aline...


Hoje eu soube...
Eu sou..
Hoje morro...
Com ela me vou...

Uma aluna assassinada...
Um mundo despedaçado...
Uma família destroçada...
Paz de silêncio ensurdecedor...

Essa paz não desejo a ninguém..
Morte por conta de ilicitudes...
Ilicitudes pagas com ilicitudes...
Dezessete anos de nada...

Para o nada ela foi...
Meu mundo agora é menos-um...
Novo fazer, nova percepção, devo construir...
Caminho cambaleante pelo caos insosso...

Seria tão mais simples...
Seria tão mais humano...
Seria tão melhor...
Somente conversar...

Hoje, ajoelho diante do caos maior...
Diante do vazio sem fim...
Hoje, inquieto-me sobremaneira...
Solto um grito rouco...
Um rugido...
Do fim...
Do se...
E se...
Sim.

Não!
Não aceito!
Inaceitável, isto!
Imprudente forma de ver...
Inconseqüente forma de ser aqui...
A eterna, informe, forma humana de agir...

quinta-feira, abril 09, 2009

Ai, ai... minha baianidade se aflora...


Confesso, amigos e amigas deste pequeno blog, que sempre que entramos em períodos tradicionais, como essa "Semana Santa", sinto ainda mais o amor que tenho pela Bahia. Sinto-me baiano no sentido mais profundo do adjetivo... no sentimento de ser guerreiro, mesmo quando poderes econômicos e políticos desejam que eu seja engolido e não avance em meus objetivos. Mas, além das picuinhas que politiqueiros insistem em fazer, cá estou eu, respirando o cheiro do dendê, deliciando-me com comidas sem igual, tocando pandeiro e jogando capoeira. Minha Bahia! Ah, àqueles e àquelas que desconhecem este prato aí de cima, esta é nossa tradicional Moqueca de Peixe... deliciem-se também.

Abraço.

domingo, abril 05, 2009

Amo-te


Amor não morre...
Não se mata...
Ele pode anoitecer, só...
Podem anoitecê-lo, apenas.

Amar não é querer para si...
Não significa tomar o outro...
Nada tem a ver com posse...
Deixa voar.

Amar é o Sol...
A luz que queima...
Arrepia e dói, quando em excesso...
Fecha acesso, assim.

Amar aquela pequena é assim...
Aquela forma de ver o mundo...
Aquele mundo que se deixa ver...
Haver, rever, deixar ir...

Amá-la é querer ouvir o som...
A música perfeita...
É sentir a inexorabilidade do ser...
Do poder ser o que se é...

Amar é apostar...
É sair do tom e revelar harmonia...
É aproveitar o vento e sair a voar...
"É sentir que nada pode acabar"...

Amar...
E isso me era estranho...
Era-me ôco...
Sem sentido...

Menos sentido faz agora...
Pois quando o encontrei,
Não posso vivê-lo, sentí-lo...
É um amor que não pode ser vivido.

Rasga e estraçalha...
Submete-me ao caos...
Que, em sua ordem, espalha...
Os cacos que sobraram do que resta de um ser...
Que carrega sua própria tralha...

Amo-te de um amor...
De amor que é fogo, mas não mata...
Não dói, se sente...
Só dói e mata quando se recente da falta...
Quando adentra a mata da imaginação...

Amo-te assim...
Simplesmente um sim...
O gosto de erva verde...
Chuva no mato...
Sol sobre a plantação...

sexta-feira, abril 03, 2009

O Silêncio do Minuto...


Acabou-se.
Findou-se o fim do minuto.
Acabou de acabar a finalização...
Parou de chorar...
Parou-se de sentir...

Calou-se para sempre...
Fechou-se à negociação...
Animou-se em desanimar...
Parou de desejar...

Abafou o som com barulho...
Coloriu a vida com a tinta preta...
Fechou-se.

Aquele tic-tac, nunca mais...
Aquele reluzir de esperança...
A morte do tempo minutal...
Minotauro desse labirinto...

Decifra o indecifrável ou devoro-te!
Decifra o ininteligível...
O silêncio é eterno, quando o tempo cala...
O fim é fim parado...

Passar é mover...
Mas se eterno, é fixidez...
Morreram os atos...
Morreram os papos...
As idéias...

Morte do mar...
Da luz...
Da lua...
Morte do tempo...
Morte de si.

Silêncio de minuto...
Para não mais ser.
Para não mais desejar.
Para esculpir o nada no vazio eterno.
Na angústia sufocante.

O nada de um nada de mundo...
A redundância do mundo capital...
O ter tudo e nada ter...
A ilusão fundamental de uma Era incidental...
Midiatiatizante e alienante...

O ar...
Falta-me...
Sufoc...
...

quarta-feira, abril 01, 2009

Menino de Pé no Chão


O menino de pé no chão dançava...
Esquecia-se de si!
Ventava e com o vento estava...
Movia-se assim!

O menino de pé no chão bailava...
Cantava a doce melodia do ar...
Abria os braços e se equilibrava...
A mim encantava!

O menino era pobre, eu sei...
Mas rico de saber...
Estava nu...
Mas revestido da fé do conhecer!

Eita menino inspirador!
Supera(dor)!
Pé após pé...
Norteador...

Cabelo crespo e camiseta rasgada...
Andar firme, maleável, gingado...
O menino seguia...
E deixava em mim saudade.

Saudade de quê, se o vi somente uma vez?
Saudade da doce melodia...
Não a que ele cantava...
Mas a que sua vida ressoava.

A Resposta




Estamos aqui.
Somos desta hora.
Somos o que sentimos.
Estamos no agora.

Vamos pensar um pouco sobre nosso ser-no-mundo... Sinto que nossa sociedade, caótica por natureza, está buscando o caminho errado para lidar com a vida. Segundo Sigmund Freud, em seu "Mal Estar na Civilização", nossa civilização criou uma civilidade que ajuda a convivência, mas sempre há o que escapa... Penso que o escape não necessita ser sempre negativo, como violência, pedofilia, agressividade, etc. Podemos escapar da pressão civilizatória através da arte, do teatro, da música, da poesia. Manifestamos todos os dias o desejo de felicidade... Como? Numa mesa de bar com amigos, numa festa, numa igreja, numa religião, etc. Disto tudo, o que podemos concluir é que temos procurado "lá fora" o segredo para nosso equilíbrio. Penso que estamos errando. A felicidade não é comprada em tabletes nos supermercados, não está no que o outro faz de bom para conosco, não está em ganhar numa competição com o outro. Na verdade, está em tudo isto e não está. Está em tudo isto somente na medida em que perpassa nosso interior, nosso desejo pessoal. Nosso desejo deve sempre estar evidente nossas ações, ou estaremos fadados a viver a vida do outro. Seja num relacionamento de casal, seja no trabalho, nos estudos... Parece-me que o equilibrio se trata de algo pessoal, intransferível, indissociável, assim como a felicidade. Entretanto, como ela, o equilíbrio de um pode influir no equilíbrio do outro, ou pelo menos na equilibração (longe do conceito de Piaget...). Agora, a questão toda está na pergunta certa que devemos fazer a nós mesmos, aquela que dará conta de nosso desejo, de nosso ser, de nosso existir... A resposta? Bem, essa é de si para si.

Abraço a todos e a todas.