domingo, abril 26, 2009

Muralha


O futuro, agora, está próximo...
Esbarra num muro de concreto...
Sólido, impenetrável...
Decodifica uma fala insólita...
Desusada, desumana...
Habita e se habitua...
Mora e desanda...
Corre, debate-se e cai...
Não morre, mas desfalece...
Cansado de tentar...
Cansado de falar...
Fazer, agir por si.

O futuro é uma onda...
O vento sopra, a praia branca...
Partículas de sal...
Partículas de ouro...
Água salgada...
Chuva que chega e se vai...
Molha o som do mar quebrando em minha boca...
Mas tudo isso se esbarra na areia.

O futuro, hoje, vai...
Segue adiante...
Numa arma química...
Em espaços nano e gigas...
Em sentimentos inumanos...
Sem coração, sem vida...
Sopra forte a força humana em distanciar-se de si...
O muro da desconfiança.

O futuro já chegou...
Veio até mim...
Falou-me ao ouvido coisas que eu não quis ouvir...
Disse, olhando-me cabisbaixo, que não acredita mais em si...
Desistiu de correr...
Desistiu de agir...
Mandou-me calar a boca quando tentei dissuadir...
O muro é ele mesmo, o muro está posto, é aqui.

2 comentários:

Marcinha disse...

Olá, João, boa noite!
Gostei de seu texto... Achei interessante a forma com você se inspirou e se expressou pela "saudade do futuro"...
Parabéns pelo texto e, também, pelo lindo blog! ;-)
beijussss e fica com Deus.

Lu. disse...

Tenho medo do futuro.
Será que ele tem apenas uma face ou se apresenta com mascaras para que cada um de nós o encontre de maneira diferente?
Escondo me sempre que o percebo.
O passado é triste, mas o futuro me assombra.